terça-feira, 21 de junho de 2011

O LIXO BATE Á PORTA DOS MUNICÍPIOS

Dilmércio Daleffe Fale com o repórter
Dilmércio Daleffe


Ninguém deseja manter o lixo próximo de sua casa. As prefeituras, também não. Mais fácil seria jogar os detritos domésticos em um terreno qualquer, de preferência longe dos olhos da população e encerrar o caso. Assim, vez em quando, remexer a terra e dar uma “garibada” no problema. Há 20 anos, esta era a realidade da maioria das cidades brasileiras. Mas uma legislação apareceu e começou a modificar a situação. A cruz começou a ser lavada. Hoje, no entanto, alguns municípios insistem em manter o lixo “escondido” dos eleitores, embora a céu aberto, ameaçando a saúde pública e agravando a degradação ambiental. Ao mesmo tempo, outras prefeituras solucionaram o problema definitivamente apenas, exportando o seu lixo.

Lixo é lixo e ponto final. Ninguém em sã consciência gostaria de lidar com ele. Trata-se de um sub-produto humano, de restos de tudo o que, em tese, não serve mais para nada. Por isso mesmo começou ser um dos maiores problemas dos tempos modernos. A medida em que a população aumenta, ele cresce. Em 2002, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aperfeiçoou a versão de aterros sanitários, principalmente, por entender que lixões a céu aberto comprometem a qualidade de vida das populações. Para isso, o órgão considerou as dificuldades que os municípios de pequeno porte enfrentam na implantação e operação de aterro sanitário de resíduos sólidos. A obra não é barata, e necessita de inúmeros procedimentos ambientais. Ou seja, requer tempo, dinheiro e muita burocracia. Em resumo, dilema aos nobres prefeitos.

Por estes e outros motivos, municípios como Terra Boa – 52 quilômetros de Campo Mourão – decidiram por uma iniciativa inédita do Estado. Lá, o lixo não é mais um problema, simplesmente, porque eles deram um fim, literalmente, nos resíduos sólidos. Há dois anos, a prefeitura decidiu “exportar” os detritos domésticos a um aterro padrão em Cianorte. Lixo mesmo na cidade só é visto nas lixeiras das casas e em nenhum outro local. O caminhão passa, apanha as sacolinhas e depois desaparece. É como se fosse virtual. Depois disso percorre 23 quilômetros até o destino final, no aterro da Sanepar, em Cianorte. Pelo trabalho, a população paga a bagatela de R$70 a tonelada, cerca de R$10 a R$12 mil por mês.

“Ainda é barato frente ao que teríamos que pagar se mantivéssemos um aterro aqui”, afirma Claudemir Batista de Souza, secretário Administrativo de Terra Boa. Segundo ele, somente para construir um local destinado ao lixo seriam necessários R$600 mil. Ele explica que, além de ter menos custos, hoje, ainda se livra dos burocráticos processos do Instituto Ambiental do Paraná (Iap). “Definitivamente, não compensa”, disse. Até pouco tempo, Terra Boa recolhia cerca de 9 toneladas de lixo ao dia. Após um trabalho de conscientização popular, quando ensinou-se a importância da coleta seletiva de recicláveis, o lixo despencou para cinco toneladas ao dia.

Não é exagero dizer que Terra Boa é bastante organizada quanto ao lixo. Além dos resíduos serem “exportados” – solucionando de vez o antigo problema – um carro passa duas vezes por semana em toda a cidade recolhendo os recicláveis. Quase todo mundo colabora. O material é levado para uma cooperativa de coletores onde fazem a separação para depois vender o produto. Hoje não se vêem mais pessoas com carrinhos recolhendo papelão pelas ruas. É que eles foram organizados pelo município. São seis pessoas, cada uma recebe quase R$600 por mês. Um deles é o seo Cirilo José de Jesus. Aos 78 anos de idade ele se orgulha em participar do grupo. Aposentado, ele se diz contente com o novo emprego. “Podia ficar em casa. Mas a minha natureza não deixa eu ficar parado”, diz.



Exemplo a não ser seguido

Mas nem todos os municípios têm boas idéias para estancar a ferida do lixo. Distante 72 quilômetros de Campo Mourão, Nova Tebas, por exemplo, mantém um verdadeiro criadouro de moscas e varejeiras, um lixão a céu aberto. Lá, às margens da rodovia BR-487, sem nenhum cuidado e proteção, a prefeitura continua a semear os resíduos. Quase que diariamente, caminhões da prefeitura semeiam detritos de toda a natureza. É todo o lixo da cidade, desde orgânicos, passando por restos de merenda escolar, até remédios veterinários. Uma prática comum durante muitos anos. Muita gente continua sobrevivendo do local.

Mas de acordo com informações repassadas pela própria prefeitura, ninguém, oficialmente dizendo, tem orgulho da situação. Boas notícias também acabam de chegar. É que recursos estão a caminho para que o município inicie a construção de um aterro regulamentado, seguindo as normas ambientais. A obra deve ser iniciada na próxima semana. Talvez esta seja a saída definitiva para o cenário irreal confeccionado durante vários anos às margens da BR-487 pelos prefeitos anteriores de Nova Tebas.

fonte tribuna do interior.
seu Cirilo

segunda-feira, 20 de junho de 2011

VEREADORES DE PORTO ALEGRE REPUDIAM REFORMA NO CÓDIGO FLORESTAL

Por Warner Bento Filho

A Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou moção de repúdio ao projeto de reforma do Código Florestal, em tramitação no Senado Federal. A moção, aprovada por 15 votos favoráveis e oito contrários, foi requerida pelos vereadores do PSOL Fernanda Melchionna e Pedro Ruas.

A decisão dos parlamentares de Porto Alegre está em consonância com o que pensa a população brasileira, de acordo com pesquisa do instituto Datafolha. O estudo, realizado entre 3 e 7 de junho, mostrou que a maioria da população não concorda com os principais pontos do texto. Para 85% dos entrevistados, a prioridade deve ser a proteção das florestas e dos rios, e não a produção agropecuária.

A pesquisa, que ouviu 1.286 pessoas em todo o Brasil, concluiu também que apenas 5% da população concordam com o perdão a desmatadores em relação à reposição da vegetação natural, mesmo que tenham derrubado florestas para produzir.

A população tampouco concorda com a proposta de anistiar as multas aplicadas. Uma das propostas do novo Código Florestal é que todos os proprietários de terra que desmataram ilegalmente até junho de 2008 fiquem isentos de multas e punições. O Datafolha perguntou se o entrevistado era “a favor ou contra que esses proprietários de terra sejam perdoados das multas”, e 79% das pessoas ouvidas disseram ser contra perdoar as multas.

O mesmo percentual de brasileiros também considera que, se a anistia for aprovada pelo Congresso, a presidente Dilma deveria vetar o perdão.

A pesquisa mostrou, ainda, que os eleitores não estão dispostos a votar novamente em parlamentar que votar a favor da isenção de multas e de punições aos proprietários de terra que desmataram ilegalmente. Entre os entrevistados, 84% disseram que não votariam novamente nestes parlamentares.

A vereadora Fernanda Melchionna considera o texto de reforma do Código Florestal um retrocesso sem precedentes na política ambiental. “O relatório desmonta a nossa legislação ambiental e permite o desmatamento desenfreado”, disse.

De acordo com a vereadora, é fundamental agora que a sociedade se mobilize para pressionar o Congresso e o Governo Federal. No domingo (26), a população de Porto Alegre participa de protesto contra a reforma do Código Florestal. O ato ocorre pela manhã, no Brique da Redenção.

De acordo com o superintendente de conservação do WWF-Brasil, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, a proposta de reforma do código Florestal implica em imensas perdas econômicas para o setor agropecuário no Brasil. As perdas, segundo o ambientalista, estão relacionadas a pelo menos três pontos: acesso a mercados, acesso a pagamentos por serviços ambientais e gestão de recursos naturais, base da agricultura.

“A tendência dos mercados mundiais é de ampliação de espaço para produtos sustentáveis, ao mesmo tempo em que os consumidores não querem adquirir nada que signifique agressão à natureza”, diz Scaramuzza.