VOLTADO EXCLUSIVAMENTE PARA DIVULGAÇÃO DE ASSUNTOS RELACIONADOS AS QUESTÕES AMBIENTAIS NO BRASIL E NO MUNDO. É HORA DE TODOS PARTICIPAREM DESTA LUTA QUE VEM DESTRUINDO O PLANETA.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Dilma, só falta você
Nesta página Notícia - 29 - nov - 2011
Enquanto o novo Código Florestal aguarda votação no Senado, movimentos sociais e ambientais dizem não a projeto de lei ruralista com 1,5 milhão de assinaturas.
zoom
Balão leva mensagem à Dilma na Praça dos Três Poderes ©Cristiano Costa/Greenpeace
Depois de dois anos, a batalha no Congresso em torno da desfiguração do Código Florestal chega a sua reta final. Em vias de ser votado no Senado, sob intensa pressão dos ruralistas, apenas a presidente Dilma pode agora evitar que as florestas brasileiras sejam entregues de bandeja aos interesses ruralistas.
Hoje, o Comitê Brasil pelas Florestas (do qual o Greenpeace faz parte) levou para o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB), 1,5 milhão de assinaturas de brasileiros que discordam do projeto em discussão. Eles querem um texto que promova a preservação ambiental brasileira, e não que permita mais desmatamento e anistie criminosos.
Assine você também. Veta, Dilma.
Uma marcha reuniu representantes do comitê e da sociedade, e foi do Congresso ao Palácio do Planalto. Na Praça dos Três Poderes, onde os manifestantes se concentraram, um balão do Greenpeace pedia "Senado, desliga essa motosserra".
Enquanto isso, treze embaixadas brasileiras na Europa e na América recebiam representantes do Greenpeace, que pediam aos embaixadores que cuidassem das florestas brasileiras. Em Durban, onde acontece a 17ª Conferência do Clima, ativistas vestidos de árvore também lembravam o impacto negativo desse texto. Afinal, o Brasil se comprometeu internacionalmente em preservar a Amazônia, pelo bem da biodiversidade, pelo equilíbrio climático do planeta e do nosso próprio futuro.
fonte greenpeace
Brasil é o Fóssil do Dia
Postado por camorim - 2 - dez - 2011 às 15:41 Adicionar comentário O Brasil fez por merecer: ganhou hoje o Fóssil do Dia, prêmio "ao contrário" dado diariamente pelas ONGs ambientalistas aos países que atrapalham as negociações na Conferência do Clima (COP17), que acontece em Durban. Isso porque hoje o Ministério do Meio Ambiente (MMA), via reportagem no jornal "O Estado de S.Paulo", soltou um cálculo estapafúrdio: que a recuperação do passivo florestal previsto no novo Código Florestal seria suficiente para cumprir inúmeras vezes o compromisso assumido pelo país em corte de emissões de gases-estufa.
A fala não faz sentido nem dentro da discussão do Código Florestal nem nas negociações sobre mudanças climáticas. O Brasil tem o compromisso de cortar emissões futuras, ou seja, evitar que mais gases-estufa caiam na atmosfera. O que se planta para recuperar passivo não entra nesta conta.
Segundo: o MMA deixou de lado o potencial de desmatamento previsto com a aprovação do novo código. Esse sim é o problema, especialmente quando se lembra que a principal fonte de gases-estufa do Brasil é desmatamento e queimadas.
Em outubro, o Greenpeace se reuniu com o secretário de Mudanças Climáticas do MMA, Eduardo Assad – quem assina a conta publicada no jornal. Na ocasião, ele demonstrou preocupação em relação ao projeto do novo Código Florestal, em vias de ser votado no Senado. Assad chegou a admitir que o texto em discussão poderia atrapalhar e mudar, para pior, os rumos da política ambiental brasileira. Agora causa estranheza a posição do secretário e do próprio ministério, uma vez que desde então nada significativo mudou no projeto.
"Manobras como essa não ajudam a resolver questões que deveriam ser primordiais para o governo, como a responsabilidade do país no controle das mudanças climáticas e a preservação de suas florestas", afirma Marcio Astrini, da campanha Amazônia do Greenpeace. "O Brasil, quando assumiu seu compromisso de redução de gases-estufa em 2009, deu um exemplo para o mundo. Esperamos o mesmo do atual governo."
Clique e peça para Dilma vetar o novo Código Florestal.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
foto de CARLOS EDUARDO MATOS
G 1 AM15/11/2011 11h45 - Atualizado em 15/11/2011 12h01
Defeso quer garantir a reprodução de seis espécies de peixes amazônicos
Na lista os peixes pirapitinga, mapará, sardinha, matrinchã, pacu e aruanã.
Multa varia entre R$ 150 e R$ 30 mil.
Carlos Eduardo Matos
Do G1 AM.
O tambaqui é uma das espécies no período do defeso
(Foto: Dennis Barbosa/Globo Amazônia)
A partir desta terça-feira (15) está proibida a pesca e comercialização dos peixes amazônicos pirapitinga, mapará, sardinha, matrinchã, pacu e aruanã. O período de defeso, determinado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para permitir a reprodução destas espécies, vai até o dia 15 de março.
De acordo com o secretário de Aquicultura e Pesca do Amazonas, Geraldo Bernardino, o pescador que insistir na captura das espécies protegidas pelo defeso serão detidos, multados e ainda terão a mercadoria apreendida. A multa varia de R$ 150 a R$ 30 mil, conforme o volume da carga apreendida.
"O Batalhão da Polícia Militar (PM), junto com os órgãos de produção rural e de pesca, está montando estratégias para garantir a proteção do pescado em todo o território do Amazonas, para que no ano que vem, seja mantida a oferta em épocas autorizadas", explicou.
Segundo Bernardino, nas feiras, está permitido somente o pescado cultivado em viveiros. "É importante que o consumidor fique atento a isto, pois ele é o maior fiscalizador. Ele deve exigir do feirante o certificado de origem do produto", alertou.
O tambaqui, espécie mais apreciada na culinária amazônica, também está na época de defeso, desde o dia 1º até o dia 31 de março de 2012. Apenas a produção em viveiros está permitida em feiras e mercados no Amazonas.
Para denúncias, o Governo do Estado disponibilizou a Linha Verde: (92) 2123-6761 e 0800 61 8080.
FONTE : G1
sábado, 22 de outubro de 2011
O NOVO GUERREIRO SE LANÇA AO MAR
Nesta página Notícia - 14 - out - 2011
Projetado totalmente sob medida para o Greenpeace, o navio Rainbow Warrior III parte para suas primeiras missões em defesa do meio ambiente.
zoom
O Rainbow Warrior III faz navegações de teste no Mar do Norte. (créditos: Oliver Tjaden/Greenpeace)
Um novo e destemido defensor dos mares teve hoje sua grande estréia. Projetado totalmente sob medida para o Greenpeace para o trabalho de ativismo ambiental, o navio Rainbow Warrior III parte para suas primeiras missões em defesa do meio ambiente.
O novo guerreiro do arco-íris leva o selo de sustentabilidade. Em lugar dos combustíveis fósseis, seu principal motor será a força dos ventos. O design revolucionário do mastro e o posicionamento das velas foram otimizados para uma maior eficiência.
Sua operação por motores só será acionada em caso de condições do tempo adversas. Mesmo assim, seu casco foi desenhado para reduzir ao máximo o uso de combustíveis. O calor dos geradores será reutilizado no aquecimento da água a bordo, em cabines e banheiros, e para o pré-aquecimento das máquinas.
Leia mais sobre os predecessores do Rainbow Warrior III
Com capacidade para uma tripulação de até 30 pessoas, o novo Rainbow Warrior III continuará a ser uma plataforma segura e funcional para campanhas e estudos. Sua infraestrutura inclui modernos equipamentos de comunicação e de pesquisa científica, dois botes salva-vidas e heliponto.
Tudo isso foi possível graças ao apoio de colaboradores de todo o mundo. Mais de 100 mil pessoas fizeram doações, patrocinando a compra de peças e outros equipamentos por meio da internet até que a construção do navio fosse finalizada.
“Assim como seus antecessores, o novo Rainbow Warrior nos permitirá viajar para as fronteiras da destruição ambiental, testemunhar e agir. Ele é uma promessa a nossos colaboradores, de que vamos manter a luta por um futuro verde e pacífico”, declarou Kumi Naidoo, diretor executivo do Greenpeace Internacional, durante o lançamento do navio em Berne-Matzen, Alemanha.
A madrinha da embarcação, a canadense de origem índígena Melina Laboucan Massimo, lembrou uma citação do povo Cree que deu origem ao nome Rainbow Warrior: “Um dia a terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos nas correntezas dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris.”
O navio vai iniciar sua empreitada com uma turnê pela costa europeia. Em seguida, ele fará a primeira travessia no oceano para começar a campanha nas Américas.
Para mais informações e um tour virtual no novo Rainbow Warrior, acesse: http://anewwarrior.greenpeace.org.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
FOTO: BELO MONTEIRO
No dia 06 de outubro de 2011 a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) recebeu em São Paulo, o Prêmio Muriqui, concedido pela Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. A solenidade aconteceu no Palácio dos Bandeirantes, durante o II Fórum de Cooperação Internacional São Paulo protagonista em Biodiversidade. Miriam Prochnow, coordenadora de políticas públicas da Apremavi, recebeu o prêmio das mãos de Celso Lafer, ex-ministro das Relações Exteriores e atual presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
O Prêmio Muriqui, foi criado em 1993 com o objetivo de incentivar ações que contribuam para a conservação da biodiversidade, o fomento e divulgação dos conhecimentos tradicional e científico e a promoção do desenvolvimento sustentável, na área da Mata Atlântica.
Os premiados são escolhidos pelo voto dos membros do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica em suas ações anuais.
A premiação de 2011 comemora os 20 anos da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, sendo condecorados: Márcia Hirota e Rui Barbosa da Rocha na categoria Pessoa Física, o Instituto Baleia Jubarte e a Apremavi na categoria Pessoa Jurídica e na categoria Prêmio Especial, foram homenageados Elizete Shering Siqueira (in memorian), Henrique Berbet de Carvalho (in memorian) e o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica.
Durante o evento também foi entregue pelo Governo do Estado de São Paulo a Medalha João Pedro Cardoso para Paulo Nogueira-Neto, Almirante Ibsen de Gusmão Câmara, Russel Mittermeier e Thomas Lovejoy pela contribuição para a educação, a preservação e a recuperação ambiental do Estado de São Paulo. Na solenidade Paulo Nogueira-Neto, que foi o primeiro Secretário Nacional do Meio Ambiente e tem o título de Sócio Honorário da Apremavi, foi aplaudido de pé pelos participantes.
A Apremavi dedica esse prêmio a todos os colaboradores que nesses 24 anos de atividades tem contribuído para preservação do meio ambiente e da vida!
Entre os dias 19 e 23 de setembro de 2011, a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi) promoveu duas Oficinas de Capacitação, sendo uma envolvendo os conselheiros da Floresta Nacional (FLONA) de Chapecó, em Chapecó (SC), e outra com os conselheiros do Parque Estadual (PE) Fritz Plaumann, em Concórdia (SC). Os eventos reuniram 59 pessoas, entre conselheiros e gestores destas Unidades de Conservação (UCs), palestrantes, convidados e equipe do projeto. A moderação das oficinas foi realizada por Marcelo Limont.
A oficina com os conselheiros da FLONA de Chapecó, ocorrida nos dias 19 e 20 de setembro, teve como objetivo demonstrar as possibilidades de gestão da UC, através da análise dos instrumentos de gestão internos, como plano de manejo, regimento interno, grupos de trabalho, câmaras técnicas, bem como, analisar a FLONA no contexto regional, especialmente em sua relação com o entorno.
Nesse sentido, o primeiro dia de atividades esteve voltado a discussões sobre o contexto atual da FLONA de Chapecó e sua relação com o entorno, legislação ambiental relacionada à UCs e as ameaças para a biodiversidade regional a partir do modelo de desenvolvimento econômico do Oeste Catarinense. Esses assuntos foram tratados pelo Sr. Juares Andreiv, chefe substituto da FLONA, Sr. Reginaldo Pereira e Sra. Gilza Maria de Souza Franco, ambos professores da Unochapecó.
No segundo dia de oficina, realizaram-se trabalhos em grupos sobre o conselho gestor da FLONA de Chapecó e o papel do conselheiro, visando propiciar um momento de reflexão sobre o espaço em que atuam e perceber o que precisa ser amadurecido no conselho. Foram trabalhados também, as ferramentas e os métodos de decisão em gestão de conselhos.
Já a oficina com os conselheiros do PE Fritz Plaumann, realizada nos dias 22 e 23 de setembro, buscou entender o papel do conselho e do conselheiro na gestão da UC, especialmente quanto aos seus direitos e deveres.
Inicialmente, foi apresentado o histórico da criação do Parque à situação atual da gestão da UC, e informações gerais sobre o conselho gestor e o papel do conselheiro. Para falar sobre os temas, foram convidados o biólogo Sr. Eduardo Hermes Silva e o Sr. Eduardo Mussatto, chefe do PE Fritz Plaumann. Para a discussão sobre o conselho gestor, foram formados grupos para a problematização sobre o papel e o funcionamento do conselho. Em seguida, foram apresentadas em roda de conversa as principais ferramentas de condução de trabalhos com o conselho.
Também fez parte da programação da oficina, uma caminhada pela Trilha do Lajeado Cruzeiro, uma das mais visitadas no Parque.
Murilo Nichele e Rafael Leão, da Equipe Co-Gestora do PE Fritz Plaumann (ECOPEF), declararam que a oficina em questão cumpriu com os objetivos propostos e parabenizaram toda a equipe da Apremavi envolvida na atividade. Falaram ainda, que a próxima etapa é esperar pelos resultados nas ações de cada conselheiro.
Após a oficina de capacitação, foi realizada a Reunião Extraordinária do Conselho Consultivo do PE Fritz Plaumann. A pauta da reunião consistiu na apresentação do Projeto Agricultura Familiar e Meio Ambiente no Território Alto Uruguai Catarinense – Projeto Filó, pelo Sr. Claudio Rocha de Miranda, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA); na apresentação de ações da gestão do Parque, na discussão do envolvimento do conselho em ações de gestão; e assuntos gerais.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Sala de Imprensa
Notícias
11.10.2011
SPVS participa de evento em Brasília para discutir sobre espécies ameaçadas e biodiversidade
Serão realizados nesta semana (13 e 14/10) dois eventos em Brasília com o objetivo de discutir a situação das espécies presentes na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas no Brasil e os modelos jurídicos e a política nacional de conservação da biodiversidade, além da relação entre economia e diversidade biológica.
Na quinta-feira (13), às 9h, no auditório do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), acontece o Seminário sobre a Construção da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas no Brasil.
No dia seguinte (14), também às 9h, no auditório Antônio Carlos Magalhães da Interlegis, será realizado o Colóquio sobre a Proteção de Espécies Ameaçadas de Extinção, promovido pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e o Senado Federal.
Ao final do evento haverá a construção de um plano de trabalho - para integração dos esforços nacionais e internacionais - cujo objetivo é avaliar o estado de conservação das espécies. Para Elenise Sipinski, coordenadora do projeto de conservação do papagaio-de-cara-roxa da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) que irá representar a ONG nos eventos, participar desses encontros é estratégico para obter um cenário sobre a política de conservação da fauna e flora brasileira. “Além da atualização do tema e da troca de informação, será uma oportunidade de participar das discussões sobre a situação das espécies ameaçadas e as políticas públicas de conservação”, conta.
Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, o Brasil é responsável pela gestão do maior patrimônio genético do mundo: Cerca de 210 mil espécies. No entanto, um número cada vez maior de espécies encontra-se em extinção, devido à exploração indevida de recursos naturais, perda de habitat e outros fatores
O Xingu arde
Postado por camorim - 10 - out - 2011 às 12:35 1 comentário
Foto tirada da Estação Espacial Internacional mostra queimadas ao longo do Xingu (Crédito: ISS/Nasa)
Os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ou ISS, na sigla em inglês) registraram uma imagem da Amazônia que nós, como brasileiros, não podemos ter orgulho: áreas queimadas e uma considerável nuvem de fumaça ao longo do rio Xingu, um dos mais extensos da Amazônia.
A foto, obtida no dia 17 de setembro de 2011, ilustra o corte e a queima no estado do Mato Grosso. Na imagem ainda é possível ver algumas áreas expostas de areia, o que mostra que o rio está em seu estágio de baixo fluxo, ou seja, no período anual da seca.
Ao longo de seus 2,3 mil km, o rio Xingu tem sido impactado por projetos de infraestrutura como as obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Mas a história não se resume a isso, infelizmente. Desde a década de 1960, a Amazônia se tornou alvo crescente de grandes grupos ligados ao agronegócio e sofe contínuo e acelerado processo de conversão de suas florestas para pastos e lavouras de produção extensiva.
Um dos métodos mais utilizados para o desmatamento é o fogo. E queimadas, especialmente na época de seca, são vistas ao longo do curso dos rios e em espaços abertos no meio da floresta. Uma vez que as regiões desmatadas são facilmente identificáveis a partir do espaço, também fica mais fácil seguir a taxa de desmatamento.
Neste ano, enquanto acirrava-se o debate sobre a reforma do Código Florestal no Congresso Nacional, o Mato Grosso – conhecido internacionalmente pela produção de grãos, pela agropecuária e por seus passivos ambientais – teve o maior índice de derrubada entre os Estados amazônicos. Se os ruralistas de Brasília ganharem o que desejam, os astronautas verão cada vez mais cenas como essa.
Lançamento do Comitê em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável em Curitiba
Evento Oficial
Data:30/09/2011
Horário:14h
Local:Cen�lo Arquidiocesano - Rua Mateus Leme, 35, Curitiba - PR
Descrição:Evento aberto ao público em que serão colhidas assinaturas para abaixo-assinado que será entregue ao Senado
FONTE : FLORESTA FAZ A DIFERENÇA
domingo, 9 de outubro de 2011
NÃO ESTAMOS SÓS
GREENPEACE
Saiba mais sobre o Código Florestal.
Notícia - 7 - out - 2011
Estudo sobre legislações florestais de 11 países mostra que proteção e desenvolvimento andam juntos.
zoom
Cai por terra um dos mais repetidos argumentos ruralistas utilizados nas discussões sobre a reforma do Código Florestal Brasileiro na Câmara dos Deputados. Um estudo realizado sobre as normas de 11 nações demonstra que, definitivamente, a legislação florestal não é uma exclusividade brasileira.
A pesquisa mostra que o Brasil não está só nesse barco, e, ainda mais, que pode aprender muito com a experiência de outros países. Há leis que regem as florestas mundo afora, inclusive anteriores à nacional, e vivências que podem enriquecer em muito o debate, caso os parlamentares do Congresso Nacional as examinem.
É a partir da análise da história que devem ser revistos os erros e acertos passados, para uma melhor formulação do que se quer como futuro. Por esse motivo, partiu do Greenpeace a iniciativa de requisitar a pesquisa técnica, que reúne dados de Alemanha, China, Estados Unidos, França, Holanda, Índia, Indonésia, Japão, Polônia, Reino Unido e Suécia. A compilação dos dados foi levada a cabo por duas das mais renomadas instituições científicas sobre o tema: o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e o ProForest, organização afiliada à Universidade de Oxford, na Inglaterra, e autoridade global no assunto.
O que se constata é a conscientização da importância das florestas e dos recursos naturais: nações que devastaram muito no passado hoje correm atrás do que foi perdido, com leis de proteção e incentivos financeiros para recuperação. E quem não perdeu cuida do que tem com unhas e dentes.
Alguns dos países estudados possuem legislações muito anteriores à nossa. A Suécia, por exemplo, colocou em vigor seu “Código Florestal” em 1886 e estipulou que áreas desmatadas deveriam ser reflorestadas. O resultado salta a olhos vistos: a área florestada cobre 69% do território. O país possui ainda 22,7 milhões de hectares de terras florestais produtivas e 0,7 milhão de hectares dessas terras estão dentro de áreas protegidas.
“Esse estudo desconstroi o discurso ruralista para justificar uma mudança no Código Florestal – o de que nenhum outro país tem uma legislação como a nossa e que temos o direito a desmatar. A discussão na Câmara ficou baseada em mantras que foram repetidos como verdade, mas que foram produzidos em cima de falácias”, afirma Paulo Adario, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace. “Os senadores, quando ouviram outras visões, começaram a perceber que teriam de sair do circo montado pelos ruralistas na Câmara dos Deputados.”
Privado não é intocável
O estudo mostra que há uma preocupação geral contra o desmatamento, inclusive em propriedades privadas. Derrubada em terras particulares tem de ser justificada e aprovada, assim como em áreas públicas.
Na França, por exemplo, quem quiser derrubar uma área maior a 25 hectares precisa fazer um estudo de impacto ambiental, e não pode começar a operação sem autorização. Algo similar também acontece na Alemanha e outros países.
“A regra do mundo hoje é a recuperação florestal, não a perda. Na discussão no Congresso, vemos os mesmos personagens que atuavam no Brasil do passado. Mas nós já estamos no Brasil do futuro, que está na beira de uma conferência como a Rio+20, e que já se coloca como uma potência mundial”, afirma Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon e um dos coordenadores do estudo. “Temos de ver o que o país quer: se colocar como um exemplo ou afundar ainda mais. Os 56% de cobertura florestal que possuímos hoje já é o fundo do poço.”
Floresta de volta
Na outra ponta, a recuperação também é valorizada. O exemplo da China é significativo. Com uma baixa relação per capita entre população e floresta, e após dezenas de séculos de exploração, o governo chinês lançou um amplo programa de reflorestamento, o que a torna atualmente o país com o maior incremento anual em florestas plantadas entre as nações estudadas.
No Reino Unido, o governo assumiu compromissos com a criação e a gestão de florestas como um recurso natural renovável. Depois da ECO-92, no Rio de Janeiro, o governo adotou uma política florestal para promover o uso sustentável dos recursos e assegurar uma expansão constante da cobertura vegetal.
Outro exemplo bem sucedido em países ricos é o dos Estados Unidos, cuja cobertura florestal tem se mantido relativamente estável desde 1907. Em 1900 o país possuía 34% de área coberta. Em 1950 ela sofreu ligeira redução passando a 33%, e permanece nesse patamar até hoje – isso sem comprometer a produção agrícola.
Segundo Veríssimo, não podemos nos dar ao luxo de destruir nossa floresta tropical, cuja restauração é muito mais difícil. “Nós não temos conhecimento científico suficiente das espécies. A agropecuária deve ter a consciência de que a fronteira está fechada, senão não irá mudar o seu modelo produtivo. Devemos saber que manter floresta não afetará o preço da carne. Com tecnologia e uma mudança de modelo, a produção pode triplicar.”
A experiência em outros países mostra que o Brasil precisa investir em tecnologia, para aumentar a produtividade, e em preservação, para reescrever a história perversa de perda de recursos naturais que se viu em outros países.
“O mundo de hoje não é mais o mundo pré-industrial. Não existe mais uma sociedade isolada. Os compromissos que o governo brasileiro assumiu internacionalmente refletem essa posição. Temos de estar antenados com as regras internacionais de mercado. Desse modo, a proteção das florestas é também uma proteção de mercado”, diz Paulo Adario. “Mudando o Código Florestal como querem os ruralistas sacrificaremos os interesses do país em nome de um setor que é fundamentalmente atrasado.”
ENERGIA SE FAZ EM CASA
POR : JTINICO
Postado por jtinoco - 7 - out - 2011 às 15:37 Adicionar comentário Imaginem que o consumidor de energia elétrica no Brasil possa um dia gerar a sua própria, pagar menos no fim do mês e até acumular créditos. Este futuro pode não estar longe e um bom passo nesta direção aconteceu esta semana em Brasília.
Em audiência pública na sede da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no dia 06 de outubro, representantes do governo, distribuidoras, sociedade civil e academia lançaram ideias de mecanismos para incentivar e regulamentar a geração de energia renovável – solar, eólica, biomassa, entre outros - em pequena escala no país.
Entre as propostas lançadas na audiência está a de quem instalar painéis fotovoltaicos, ou pequenas turbinas eólicas em sua casa, escritório ou indústria poderá reduzir o que paga de consumo e, em casos em que a produção de energia superar o consumo, ganhar um crédito a ser utilizado por um ano. Além desta, propõe-se também um desconto de 80% na tarifa de transmissão e distribuição destas unidades pelos dez primeiros anos de instalação.
O Greenpeace foi um dos expositores na audiência e sugeriu a extensão do crédito de geração de energia por tempo indeterminado, um desconto integral nas tarifas de transmissão e distribuição e a possibilidade do gerador de energia usufruir de um esquema compartilhado de obtenção de créditos de carbono pela redução de gases de efeito estufa.
“O processo da Aneel, se concretizado e transformado em lei, deve representar uma pequena revolução na maneira como a divisão entre consumo e geração de energia é feita atualmente no Brasil”, diz Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Energia do Greenpeace. “Vale lembrar que esta proposta é mais uma de um conjunto de incentivos para energias renováveis previsto no projeto de lei PL 630/03, apoiado pelo Greenpeace e parado na Câmara desde 2009”, enfatiza Baitelo.
As propostas, compiladas em um documento, passarão agora por processo de consulta pública, que continua aberto a todos os interessados até a sexta-feira da próxima semana (dia 14.10). Sugestão podem ser enviadas por email (ap042_2011@aneel.gov.br), fax (61- 2192-8839) ou correio (para o endereço SGAN – Quadra 603 –Módulo I – Térreo/Protocolo Geral da ANEEL – Brasília – DF – CEP 70.830-030).
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
WWWF- BRASIL 15 ANOS
WWF-Brasil 15 anos15 anos dedicados ao ser humano e à natureza
Unir conhecimento e paixão para cuidar do nosso planeta é um trabalho árduo, que exige dedicação e compromisso de longo prazo. Há 15 anos, o WWF-Brasil contribui para que a sociedade brasileira conserve a natureza, por meio de ações que ajudam a harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e com o uso racional dos recursos naturais.
Em 30 de agosto de 1996, nascia o WWF-Brasil, com sede em Brasília, a primeira organização nacional da Rede WWF na América Latina.
De lá pra, cá os trabalhos não pararam. Durante essa década e meia, o WWF-Brasil tem cumprido um de seus principais objetivos que é harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações.
LUIZ FERNANDES/WWF
Leia mais...
Conheça os eventos mais importantes da história do WWF-Brasil.
5 DE SETEMBRO DIA DA AMAZONIA
Com sete milhões de quilômetros quadrados, sendo cinco milhões e meio de florestas, a Amazônia é hoje um dos patrimônios naturais mais valiosos de toda a humanidade.
Este domínio biogeográfico ocupa 60% do território brasileiro e possui uma área que abrange oito países e um território da América do Sul (Brasil, Peru, Colômbia, Equador, Bovialí, Guiana, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa). Estima-se que no Brasil 30 milhões de pessoas vivem na Amazônia.
Além de uma importância ambiental incalculável para o planeta – como lar de uma infinidade de espécies animais, vegetais e arbóreas conhecidas e desconhecidas; como regulador no equilíbrio climático global; e como fonte de matérias primas alimentares, florestais, medicinais e minerais -, a Amazônia é ameaçada por inúmeras atividades predatórias como a extração de madeira, a mineração, obras de infra-estrutura e a conversão da floresta em áreas para pasto e agricultura.
Neste 5 de setembro, data em que se comemora o Dia Mundial da Amazônia, o WWF-Brasil apresenta a você as histórias de agricultores e populações tradicionais que tentam, mesmo com todas as dificuldades, conciliar a vida de produtores com a necessidade de conservar este valioso ativo ambiental. Descubra também como vivem pescadores de Manoel Urbano, no Acre, e como as mudanças climáticas estão impactando seu modo de viver.
A Amazônia ainda é uma grande desconhecida e guarda muitas surpresas – como o primata do gênero Callicebus, nunca antes descrito pela Ciência, divulgado recentemente pelo WWF-Brasil após uma expedição ao noroeste do Mato Grosso.
Leia nossas histórias, assista ao vídeo e junte-se a nós na luta pela conservação deste patrimônio!
O WWF-Brasil na Amazônia
Conheça nosso trabalho na Amazônia. Saiba mais.
Testemunhas do Clima
WWF-Brasil lança segundo DVD da série
Assista ao documentário completo
Saiba mais sobre o vídeo
..
Preservação da floresta
© WWF-Brasil / Jorge Eduardo Dantas
No interior da Amazônia, existe um grande desafio imposto aos pequenos produtores rurais daquela região: conciliar sua vocação agrícola com a manutenção das florestas.
Vivendo no norte do Mato Grosso há 19 anos, ‘Seu Daniel’ quer “produzir sem agredir o Meio Ambiente”.
Saiba mais sobre a história de Seu Daniel
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
FORA PETRÓLEO
Nesta página Notícia - 8 - ago - 2011
Zona de maior biodiversidade do Atlântico Sul, Abrolhos corre o risco de virar um grande poço de petróleo. Campanha pede uma moratória da exploração na região
zoom
Greenpeace / Alcides Falange
Zona de maior biodiversidade do Atlântico Sul, Abrolhos corre o risco de virar um grande poço de petróleo. A região foi loteada em 2003 pela ANP (Agência Nacional de Petróleo) e agora dez empresas nacionais e estrangeiras estão prontas para começar a exploração dos 13 blocos atualmente sob concessão do governo.
É por isso que o Greenpeace Brasil começou uma campanha em que pede uma moratória na exploração de gás e petróleo nos arredores do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos.
Com uma área aproximada de 93.000 km², a moratória estabelece uma zona de segurança ao redor do parque nacional. Dentro desta área, estará banida apenas a exploração de gás e petróleo, evitando que um desastre ambiental contamine ecossistemas sensíveis, responsáveis pela reposição dos estoques pesqueiros e reprodução de inúmeras espécies ameaças de extinção.
A moratória, entretanto, depende de um acordo entre o governo e as empresas com blocos de exploração nesta região. São elas Petrobrás, Vipetro, Perenco, OGX, HRT, Shell, Vale, Cowan, Sonangol e Repsol.
O Greenpeace contatou estas empresas por meio de cartas, expondo a importância e necessidade da moratória. Até a sexta-feira passada, dia limite para as respostas, nenhuma empresa havia se posicionado com relação à proposta.
A campanha lançou uma petição online, em que está recolhendo assinaturas da população a favor da moratória. Esta petição será levada às empresas e autoridades, e pode ser acessada pelo endereço: www.greenpeace.org.br/abrolhos
SEMINÁRIO INTERNACIONAL DISCUTE RELAÇÃO DO HOMEM COM A ÁGUA
18 Agosto 2011 | 0 comments
Discutir a relação do homem com a água e os desafios para a educação, promoção da saúde e gestão da água são alguns dos objetivos do 1º Seminário Internacional Água e Transdisciplinaridade: para uma ecologia de saberes promovido pelo Centro de Estudo Transdisciplinar da Água e coordenado pela Agência Nacional de Águas (ANA) em parceria com o Senado Federal, Universidade de Brasília e o WWF-Brasil. O seminário acontece em Brasília, entre 9 e 11 de novembro de 2011, e as inscrições seguem abertas até que as 300 vagas ofertadas sejam preenchidas.
O seminário é uma oportunidade de reunir especialistas, estudiosos e interessados no tema água e no debate sobre a atual conjuntura ambiental, social e econômica e os desafios enfrentados com relação à sustentabilidade. O evento é parte das ações no âmbito da Década Mundial da Água (2005 - 2015), instituída pela Organização das Nações Unidas que, entre outras abordagens, promove a discussão e reflexão sobre a relação entre água e cultura.
Na ocasião, os participantes também terão oportunidade de refletir a relação da sociedade com a água e o modelo de gestão mais adequado para a preservação da biodiversidade e da diversidade cultural, por meio da apresentação de artigos e pôsteres, além de conferências, mesas redondas e momentos culturais.
Para Samuel Barrêto, coordenador do programa Água para a Vida, do WWF-Brasil, os diferentes olhares sobre a água determinam a relação das comunidades com o seu dia a dia. “Entender estes olhares facilita o processo de engajamento da sociedade para a promoção do cuidado com a água e a sua boa governança. Estes são elementos fundamentais para evitarmos problemas de escassez e conflitos de uso desse recurso que é fundamental para a vida e para o desenvolvimento do Brasil”, avalia Samuel.
Inscrições e apresentação de trabalhos
Os interessados em participar do seminário podem se inscrever gratuitamente pelo site até que as vagas ofertadas sejam preenchidas. A confirmação das inscrições será solicitada por e-mail e deve ser feita até 20 de outubro de 2011.
Os participantes inscritos que desejarem apresentar trabalhos de sua autoria durante o seminário devem ficar atentos às orientações disponíveis no site e submeter suas propostas até o dia 10 de setembro de 2011.
Uma comissão avaliará os trabalhos inscritos e, a partir de 10 de outubro, divulgará a relação dos selecionados.
A programação do evento e mais informações estão disponíveis no site http://www.ana.gov.br/seminarioIAT
O CET-Água
O Centro de Estudo Transdisciplinar da Água (CET-Água) é um grupo de trabalho constituído por meio de um acordo de cooperação entre dez instituições governamentais e não governamentais com o objetivo de somar esforços para o desenvolvimento do saber transdisciplinar sobre água. As frentes de atuação do grupo são variadas e um importante objetivo é fomentar novas tecnologias e conhecimentos relativos às propriedades naturais da água, métodos de conservação ambiental, ética de uso e gestão.
Compõem o CET-Água: a Agência Nacional de Águas (ANA), a Ararazul - Organização para a Paz Mundial, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), o Instituto Calliandra de Educação Integral e Ambiental, o Instituto Oca do Sol, o Instituto de Saúde Integral (ISI), a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), a Fundação Universidade de Brasília (FUB), a Fundação SOS Pró-Mata Atlântica e o WWF-Brasil
sábado, 6 de agosto de 2011
PARA CURAR AS FERIDAS DA TERRA
26 Julho 2011
© WWF-Brasil / Aldem Bourscheit
Voçoroca às margens de estrada em Chapada Gaúcha (MG)
Links relacionados
Voçoroca em Chapada Gaúcha (MG)
Voçoroca em Chapada Gaúcha (MG)
Conjunto de voçorocas em Chapada Gaúcha (MG)
© WWF-Brasil / Aldem Bourscheit
Rios assoreados são comuns na região de Chapada Gaúcha (MG)
Por Aldem Bourscheit
Município ao norte de Minas Gerais cujos topos das serras foram intensamente colonizados a partir dos anos 1970, Chapada Gaúcha enfrenta hoje o desafio comum a várias regiões do Cerrado, o de associar a produção agrícola com a manutenção do solo e das águas.
Figurando como um dos maiores produtores brasileiros de soja e de sementes de capim, a antiga Vila dos Gaúchos tem parte de sua paisagem dominada por imensas voçorocas*, frutos da má gestão de estradas e de práticas agrícolas nem sempre adequadas ao solo arenoso regional. Os efeitos diretos são perda de áreas produtivas, alterações forçadas em rotas de tráfego, assoreamento de rios e córregos e redução na quantidade de peixes nesses cursos d´água.
Conforme o engenheiro agrônomo Francisco Fernando da Silva, da Cooperativa Agropecuária Pioneira, ao longo do tempo o município vem melhorando índices de produtividade e adotando técnicas agrícolas menos agressivas, por exemplo, reduzindo as queimadas da palha que sobra a cada colheita. Mesmo assim, a degradação do solo preocupa quem depende dele para garantir o futuro na região. “Sem cuidados a terra perderá valor. Precisamos observar e combater a degradação do solo e adequar produção e meio ambiente, inclusive para evitar restrições de crédito e de comércio”, disse.
Para auxiliar o município nesse movimento, o Programa Cerrado-Pantanal do WWF-Brasil promoveu nos dias 21 e 22 de julho um curso sobre recuperação de voçorocas, na Câmara Municipal. Participaram da atividade mais de 30 pessoas, entre técnicos da prefeitura, produtores rurais, membros de organizações não-governamentais e de órgãos ambientais do estado e do governo federal.
A atividade foi capitaneada pelo engenheiro agrônomo e mestre em conservação de água e solo Vinícius Martins Ferreira, do Centro Regional Integrado de Desenvolvimento Sustentável, de Nazareno (MG). Atuando há mais de uma década, o centro tem no rol de ações o Projeto Maria de Barro, focado na recuperação de áreas degradadas e apoiado com recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente, BNDES e Prefeitura Municipal.
Vinícius comenta que as erosões surgem normalmente pela disposição natural dos terrenos associada à interferência humana. Assim aconteceu em Chapada Gaúcha, cujos solos arenosos ficaram desprotegidos com o amplo desmatamento, tornando-se alvos fáceis da chuva e do vento. “Muitas vezes a população não vê risco nas erosões, mas elas não podem ser encaradas com naturalidade, pois são reflexo do trato do solo e da água nas propriedades. Por isso, o manejo e a recuperação dessas áreas começam sempre no seu entorno”, ressaltou.
Nos dois dias de curso, foram apresentadas técnicas para a construção de terraços, curvas de nível e pequenas barragens nas lavouras, estruturas que reduzem a força e infiltram a água das chuvas. E, ainda, para a implantação de barreiras contra o vento e para a própria recuperação das voçorocas. Uma delas foi totalmente mapeada e dimensionada. Além disso, foram apresentados aplicativos (softwares) gratuitos para cálculo do tamanho e forma de terraços e possíveis fontes de recursos públicos para redução do problema. Eles podem ser acessados aqui.
“Recuperar o que foi degradado é sempre mais difícil e mais caro. Por isso somos favoráveis à produção correta, que respeita e entende os limites ambientais da região”, destacou a secretária de Meio Ambiente e Turismo de Chapada Gaúcha, Rosemeire Magalhães Gobira.
Nativo da região, o prefeito José Raimundo Ribeiro Gomes viu muita voçoroca nascer e crescer, bem como cursos d´água assoreados pelo areal carregado a cada enxurrada. “Talvez Chapada Gaúcha seja hoje um dos maiores contribuintes com areia para o médio São Francisco, areia que o rio não precisa”, comentou. Inúmeros afluentes da margem esquerda do rio São Francisco percorrem a região, cujo modelo de ocupação, baseado no tripé trator-adubo-veneno da Revolução Verde, está nas origens da degradação.
“A reação dos Gerais ao progresso não demorou. As chapadas arenosas são muito suscetíveis à erosão. Depois de desmatadas, liberaram a areia que foi carreada para entupir os cursos d´água. As veredas drenadas produziram por poucos anos. Na maioria dos casos a fertilidade declinava ao mesmo tempo em que a fonte d´agua minguava. Os cursos de água também eram sangrados pela irrigação e criação de gado em grande escala das fazendas de mata seca. Córregos, nascentes e veredas secaram”, contam professores e pesquisadores ligados ao Núcleo de Pesquisa e Apoio à Agricultura Familiar Justino Obers em artigo publicado na revista Agriculturas (confira aqui / PDF 390 Kb).
Com o volume do problema se agigantando, o município e governo federal vêm tentando conter algumas voçorocas desde os anos 1990, inclusive dentro do parque nacional Grande Sertão Veredas, mas de forma pontual e descontinuada. Foram erguidas barraginhas, estradas sofreram manutenção e restos orgânicos de festas populares e de moradias ganharam o fundo das grotas na tentativa de conter seu crescimento. Outras receberam lixo, fornecem areia para a cidade e servem até de curral.
Para o coordenador do Programa Cerrado-Pantanal do WWF-Brasil, Michael Becker, Chapada Gaúcha tem agora condições para elaborar projetos para a recuperação de voçorocas, problema que deve ser combatido de forma contínua e com a união do maior número possível de setores do município, do estado e do governo federal. Afinal, as erosões geram impactos para quem está no topo da região, para as comunidades no entorno e para a bacia do rio São Francisco, como perda de solo produtivo e redução da quantidade e da qualidade das águas.
“O melhor caminho é centrar esforços em torno do objetivo comum da melhoria ambiental da região, baseada na evolução contínua das técnicas produtivas e na boa e necessária convivência com o parque nacional (Grande Sertão Veredas) e outras unidades de conservação. O curso que promovemos é uma das maneiras de contribuir com esse processo”, disse.
* também chamadas de grotas ou boçorocas, a expressão vem do tupi-guarani ibiçoroc, literalmente “terra rasgada”
domingo, 24 de julho de 2011
SOS FLORESTAS MOBILIZA PÚBLICO E ARTISTAS DO FESTIVAL BLACK NA CENA
21 Julho 2011
© Michel Roggo / WWF-Canon
Artistas convidados para o festival Black Cena declaram seu apoio às florestas
O debate sobre o futuro das florestas brasileiras vai entrar no ritmo da black music com a presença da campanha SOS Florestas nos três dias do festival Black na Cena, que será realizado na Arena Anhembi no próximo fim de semana, de 22 a 24 de agosto.
Além de coletar assinaturas contra o projeto de lei que enfraquece o Código Florestal, voluntários informarão ao público sobre o tema. Artistas participantes do evento estão sendo convidados a declarar seu apoio à causa e divulgar a campanha em seus canais e redes sociais.
"Estamos compartilhando informações e abrindo espaço para o debate e reflexão e, nesse sentido, o evento se alinha aos esforços do SOS Florestas, de agregar mais pessoas contra as mudanças no Código Florestal. As pessoas precisam saber que o discurso que contrapõe a preservação das florestas e a produção de alimentos é uma farsa. Assim, poderemos ter um debate sério", afirma Rafael Poço, representante do Instituto Vitae Civilis na SOS Florestas.
A iniciativa de levar a campanha SOS Florestas para o Black na Cena partiu da Entreproduções e Instituto Triângulo, realizadores do festival, com o objetivo de agregar conteúdo relevante sobre questões socioambientais ao público. O evento se alinha aos esforços de mobilização nacional da sociedade brasileira contra o PL 1.876/99, para acompanhar e pressionar o processo de análise e votação no Senado, a partir de agosto.
O movimento, liderado pela coalizão SOS Florestas, é formado por ONGs, entidades da sociedade civil e indivíduos e foi idealizado para barrar o PL de autoria do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB/SP). Aprovado na Câmara dos Deputados no final de maio, o projeto enfraquece as leis que protegem as florestas e outras áreas naturais no país e incentiva a ocupação de áreas de risco, como encostas de morros e margens de rios, abrindo espaço para mais tragédias em centros urbanos, como enchentes e deslizamentos de terra.
"Essa mudança da legislação vai aumentar o desmatamento, provocando maior emissão de gases do efeito estufa, além de acarretar problemas no abastecimento de água e ocupações irregulares nas áreas urbanas", reflete Rebeca Lerer, ativista da coalizão e diretora de conteúdo da Matilha Cultural. "Outro ponto que provoca indignação é a intenção de anistiar proprietários de terras que desmataram irregularmente áreas protegidas pelo atual Código Florestal", finaliza.
A mobilização
Para estimular a participação ativa de indivíduos e descentralizar a campanha, a coalizão SOS Florestas dispõe, através de seu site www.sosflorestas.com.br, diversos materiais informativos, como vídeos, cartilhas, petições, sugestões de atividades, entre outros. As entidades e cidadãos também estão sendo incentivados a entrar em contato com os senadores de seus domicílios eleitorais, em articulação conjunta com a Frente Parlamentar Ambientalista, pressionando por voto contrário ao PL.
domingo, 17 de julho de 2011
TAMANDUÁ- BANDEIRA É FOTOGRAFADO EM RESERVA NO PARANÁ
Espécie ameaçada de extinção, carregando filhote no dorso, é vista em Salto Cotia, área adotada por projeto da SPVS em parceria com a HSBC Seguros
Um tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) adulto e um filhote, espécie em risco de extinção, foram avistados na reserva Salto Cotia, área de propriedade de Roger Looser e adotada por um projeto de conservação de áreas naturais desenvolvido pela Organização Não-Governamental Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) em parceria com a HSBC Seguros. A reserva fica localizada no município de Tibagi, no Paraná, a 222 km de Curitiba. O funcionário que trabalha na área, Eveli Tiago, flagrou os mamíferos em meio a vegetação durante uma ronda de rotina à propriedade.
De acordo com a bióloga Ângela Kuczach, do setor técnico da SPVS, a presença dessa espécie nos ecossistemas é rara no Paraná e quando avistada indica que as áreas estão em bom estado de conservação. “É muito incomum encontrar tamanduás-bandeira no Estado, principalmente porque eles dependem de grandes áreas e fontes de alimentação adequadas. Ter encontrado a espécie na área adotada pelo projeto é um fato relevante pela raridade das aparições e merece destaque”, ressaltou Ângela.
Para garantir a sobrevivência da espécie, as áreas ainda intactas dos ecossistemas de ocorrência do tamanduá-bandeira devem ser conservadas com, entre outras medidas, manejo técnico das propriedades, implementação de programas de educação ambiental, e a criação de novas Unidades de Conservação (áreas oficialmente protegidas).
Um exemplo disso é a criação de reservas particulares, conhecidas como RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural). Para Ângela, a RPPN é o melhor mecanismo para conservação de áreas privadas e proporciona a oportunidade direta na contribuição para a conservação da biodiversidade. “Essas reservas vêm para somar no Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Prova dessa contribuição é a presença dos dois tamanduás-bandeira na Reserva Salto Cotia”, explicou.
A SPVS atua na conservação de áreas privadas no ecossistema Floresta com Araucária, área de ocorrência do tamanduá-bandeira e várias outras espécies ameaçadas de extinção. Entre outras ações, faz parte do trabalho da SPVS o estímulo para a criação de RPPNs. Atualmente são 21 áreas adotadas pelo projeto da instituição, sendo que cinco já foram transformadas em RPPN.
A HSBC Seguros é a principal parceira da SPVS neste projeto – iniciativa da instituição que já garantiu a conservação de 2,5 mil hectares de Floresta com Araucária, no Paraná.
Ameaça de extinção
O tamanduá-bandeira está classificado na categoria Criticamente em Perigo no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no Estado do Paraná, publicado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e, de acordo com os critérios específicos, aparece sob um risco extremamente alto de extinção na natureza. As principais causas, segundo especialistas, são a redução e destruição dos ecossistemas, perda de fontes alimentares, poluição dos ecossistemas terrestres, modificação dos ambientes naturais para o desenvolvimento de áreas agrícolas, queimadas, atropelamentos, ataque por cães e caça predatória.
“Além de ter poucos indivíduos em sua população, existe uma pressão muito grande sobre seu habitat e ainda por cima ele está expandindo sua área de vida, enganado pela modificação de ambientes pelo homem e procurando sobreviver até em florestas como a do Parque Nacional do Iguaçu, aonde também já foi fotografado”, comentou Mauro de Moura-Britto, biólogo do departamento de Biodiversidade do IAP.
Tamanduá-bandeira
A distribuição do tamanduá-bandeira abrange todo o Brasil e no Paraná ocorre principalmente nas áreas de Campos Naturais e Cerrado, existindo poucos registros em áreas de Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Ombrófila Mista. Segundo Moura-Britto, os registros mais recentes da presença de tamanduá-bandeira no Paraná referem-se ao Segundo Planalto Paranaense. “Existe no Museu de História Natural Capão da Imbuia (MHNCI) um tamanduá-bandeira atropelado em 1995, na RPPN Fazenda Monte Alegre, em Telêmaco Borba, onde a espécie continua sendo avistada, inclusive com um registro fotográfico feito em 2003. Também ocorreu visualização em Piraí do Sul, em 2001 e 2002 sendo, no entanto, pouco comum”, completou o biólogo.
O tamanduá-bandeira é o maior representante da família Myrmecophagidae e pode atingir até 2,20m de comprimento e pesar mais de 45kg. É reconhecido por seu tamanho, cauda grande, focinho longo e cilíndrico e pela coloração característica da pelagem, composta por uma faixa diagonal preta de bordas brancas, com pêlos grossos e compridos.
Com baixo potencial reprodutivo, o período de gestação da espécie é de aproximadamente 190 dias, nascendo apenas um filhote por vez. A mãe carrega a cria no dorso por cerca de um ano, quando chega a pesar entre 14 e 17 quilos, período em que passa a se alimentar sozinho. A espécie apresenta uma série de adaptações para a sua alimentação constituída de formigas e cupins. Para capturar as presas, utilizam a língua comprida, capturando os insetos em seus ninhos.
FONTE SITE: SPVS
SEPARE O LIXO
'Separe o Lixo e Acerte na Lata' ganha hotsite
A iniciativa faz parte de uma série de medidas que visam sensibilizar a população sobre a destinação do lixo
12/07/2011 08:37
com iniciativas como esta que temos que lutar para preservação do nosso planeta.
Divulgação
Campanha Separe o Lixo e Acerte no lata
Através do Ministério do Meio Ambiente, a campanha ‘Separe o Lixo e Acerte na Lata’ ganhou um hotsite que está no ar desde da sexta-feira (8) passada. A iniciativa faz parte de uma série de medidas que visam sensibilizar a população para o grave problema da destinação do lixo no Brasil.
Diversos meios de comunicação já propagavam a campanha – TV, rádio, jornais, revistas, a própria internet. Mas o hotsite dará um suporte à campanha nacional. O site será atualizado periodicamente e a sociedade poderá acompanhar de perto a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), um conjunto de metas que irá contribuir para a eliminação dos lixões, até 2014, e instituir instrumentos de planejamento nos níveis nacional, estadual e municipal.
Além disso, são divulgados informações importantes de dicas que estimulam a reciclagem, valorizam o trabalho dos catadores e destaquem as ações do programa de erradicação da miséria voltadas para geração de emprego e renda às famílias desses trabalhadores.
Se a campanha trouxe o retorno esperado, o Brasil entrará no patamar de igualdade aos países que mais se preocupam com o meio ambiente. Navegando pelo hotsite você irá conhecer mais da riqueza ambiental e social do lixo, aprender a forma correta de separação dos resíduos sólidos e entender melhor sobre os impactos no meio ambiente, a prática do consumo consciente e a importância da redução do volume de lixo.
Confira o site: http://separeolixo.com/
quinta-feira, 14 de julho de 2011
É TEMPO DE DESINTOXICAR
Nesta página Notícia - 13 - jul - 2011
Investigação revela ligação de gigantes dos esportes como Adidas e Nike e a poluição química de rios na China. As marcas ainda têm chance de virar este jogo.
zoom
Ativistas exibem banner com a mensagem "Desintoxique" na entrada da maior loja Adidas do mundo, em Pequim. © Zong Mu / Greenpeace
Grandes marcas de equipamentos esportivos com selo de “made in China” estão por trás de uma história de poluição e perigo à saúde humana e ambiental. É o que revela recente investigação do Greenpeace, que mostra como fornecedores chineses para Adidas, Nike e Puma vem intoxicando os rios do país com rejeitos químicos. Estas marcas agora têm a chance de encarar o desafio da desintoxicação e virar este jogo.
Um ano de pesquisa revelou que a indústria têxtil na China é a principal responsável pela alta concentração de poluentes extremamente perigosos nas águas de importantes rios do país. As substâncias, para além das fronteiras chinesas, vêm viajando mares afora e já foram encontradas até no organismo de ursos polares. Na ponta desta cadeia, nomes como Nike, Adidas e Puma.
Visite a página especial e crie seu vídeo personalizado da campanha.
Para dar uma forcinha aos ícones do esporte mundial a mudar esta triste realidade, o Greenpeace na China lançou uma campanha campeã: ativistas do Greenpeace amanheceram na porta das maiores lojas da Adidas e Nike em Pequim, capital da China, com cartazes que diziam: Desintoxique!
Entre os principais vilões das águas chineses estão os compostos perfluorados, mais conhecidos como PFC’s, e os alquifenóis. Ambos carregam uma longa lista de malefícios aos humanos e ao ambiente, tais como consequências para os sistemas endócrino, reprodutivo e hormonal, doenças no fígado e problemas de crescimento.
Assista ao vídeo:
Enquanto em países como os Estados Unidos, país de origem de algumas grandes marcas internacionais, a concentração dos poluentes na indústria têxtil vem diminuindo, na China, maior produtor de tecidos desde 1995, estes só fazem crescer. Quase 70% dos rios, lagos e reservatórios chineses são afetados pela poluição. Em Xangai, 20 milhões de pessoas bebem as águas do Yangtze, rio que recebe 30 bilhões de toneladas de água com resíduos por ano.
“O consumidor pode mandar seu recado às marcas, dizendo que não aceita participar deste ciclo perigoso. É a forma de exercer pressão global para que deixem de comprar de fornecedores envolvidos em contaminação de águas na China, ou qualquer outra denúncia de crime ambiental e humano”, diz Pedro Torres, do Greenpeace no Brasil.
Apesar de local, ressalta Torres, o problema torna-se mundial a medida em que adquirimos estes produtos. “Todo consumidor, seja na Europa ou no Brasil, que adquire o produto com esse selo tóxico, contribuí, mesmo que aparentemente de maneira indireta, com esta cadeia poluidora".
Investigação revela ligação de gigantes dos esportes como Adidas e Nike e a poluição química de rios na China. As marcas ainda têm chance de virar este jogo.
zoom
Ativistas exibem banner com a mensagem "Desintoxique" na entrada da maior loja Adidas do mundo, em Pequim. © Zong Mu / Greenpeace
Grandes marcas de equipamentos esportivos com selo de “made in China” estão por trás de uma história de poluição e perigo à saúde humana e ambiental. É o que revela recente investigação do Greenpeace, que mostra como fornecedores chineses para Adidas, Nike e Puma vem intoxicando os rios do país com rejeitos químicos. Estas marcas agora têm a chance de encarar o desafio da desintoxicação e virar este jogo.
Um ano de pesquisa revelou que a indústria têxtil na China é a principal responsável pela alta concentração de poluentes extremamente perigosos nas águas de importantes rios do país. As substâncias, para além das fronteiras chinesas, vêm viajando mares afora e já foram encontradas até no organismo de ursos polares. Na ponta desta cadeia, nomes como Nike, Adidas e Puma.
Visite a página especial e crie seu vídeo personalizado da campanha.
Para dar uma forcinha aos ícones do esporte mundial a mudar esta triste realidade, o Greenpeace na China lançou uma campanha campeã: ativistas do Greenpeace amanheceram na porta das maiores lojas da Adidas e Nike em Pequim, capital da China, com cartazes que diziam: Desintoxique!
Entre os principais vilões das águas chineses estão os compostos perfluorados, mais conhecidos como PFC’s, e os alquifenóis. Ambos carregam uma longa lista de malefícios aos humanos e ao ambiente, tais como consequências para os sistemas endócrino, reprodutivo e hormonal, doenças no fígado e problemas de crescimento.
Assista ao vídeo:
Enquanto em países como os Estados Unidos, país de origem de algumas grandes marcas internacionais, a concentração dos poluentes na indústria têxtil vem diminuindo, na China, maior produtor de tecidos desde 1995, estes só fazem crescer. Quase 70% dos rios, lagos e reservatórios chineses são afetados pela poluição. Em Xangai, 20 milhões de pessoas bebem as águas do Yangtze, rio que recebe 30 bilhões de toneladas de água com resíduos por ano.
“O consumidor pode mandar seu recado às marcas, dizendo que não aceita participar deste ciclo perigoso. É a forma de exercer pressão global para que deixem de comprar de fornecedores envolvidos em contaminação de águas na China, ou qualquer outra denúncia de crime ambiental e humano”, diz Pedro Torres, do Greenpeace no Brasil.
Apesar de local, ressalta Torres, o problema torna-se mundial a medida em que adquirimos estes produtos. “Todo consumidor, seja na Europa ou no Brasil, que adquire o produto com esse selo tóxico, contribuí, mesmo que aparentemente de maneira indireta, com esta cadeia poluidora".
sábado, 2 de julho de 2011
GOLPE BAIXO CONTRA AS FLORESTAS
Postado por agalli - 1 - jul - 2011 às 11:37 4 comentários
Floresta é morta com mesmo método usado pelo Exército americano na guerra do Vietnã
Um crime ambiental pouco visto na história brasileira surpreendeu fiscais do Ibama, que detectaram o uso de veneno para desmatar grandes áreas de floresta amazônica. De acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo, uma região equivalente a 180 campos de futebol na divisa do Estado do Amazonas com Rondônia foi desmatada com a ajuda de herbicidas pulverizados com uso de avião.
A cena é desoladora. Milhares de árvores sem vida, em pé, mas desfolhadas e esbranquiçadas pela ação do veneno.
"A floresta vira um grande paliteiro, facilitando o desmatamento. É o mesmo processo usado pelo Exército norte-americano para encontrar os vietnamitas na Guerra do Vietnã", disse o superintendente do Ibama no Amazonas, Mário Lúcio Reis.
Os técnicos encontraram também vestígios de extração de madeira por motosserras e queimadas, práticas usadas para limpar o terreno.
Especialistas ouvidos afirmam que esse tipo de agrotóxico mata as árvores de imediato e causa outros danos como a contaminação do solo, de lençóis freáticos, de animais e de pessoas.
Em entrevista à reportagem, o chefe da Divisão de Controle e Fiscalização do Ibama no Amazonas, Jerfferson Lobato, afirma que o uso de agrotóxico para desmate é recente, e que o mais comum é devastar com motosserras, tratores e queimadas. “Eles (os infratores) mudaram de estratégia porque em pouco tempo conseguem destruir mais áreas com os agrotóxicos. Assim, deixam de mobilizar muitos extratores para driblar a fiscalização do Ibama", disse.
A terra, que pertence à União, está localizada ao sul do município de Canutama (AM), entre o Parque Nacional de Mapinguari e a terra indígena Jacareúba/Katawixi, que ainda não foi demarcada.
Até agora, o único registro de uso dessas substâncias em desmatamentos no Amazonas era de 1999. Já em Rondônia, um registro foi feito em 2008, quando fiscais flagraram uma área de cinco hectares destruída por herbicidas na região de São Francisco do Guaporé.
Mais veneno
Os criminosos de floresta estão jogando pesado. Em outra reportagem, publicada no início da semana, a Folha revelou que no dia 17 de junho fiscais do Ibama apreenderam quatro toneladas de agrotóxicos, material suficiente para desmatar 3 mil hectares de vegetação. Segundo os técnicos, o alvo era a floresta nativa da União em Novo Aripuanã, no sul do Amazonas.
Os produtos foram apreendidos em uma região de floresta desabitada às margens do rio Acari, afluente do Madeira, que fica nos limites entre a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma e uma propriedade de um fazendeiro de Rondônia, que não teve seu nome revelado. A multa pode chegar a R$ 2 milhões.
fonte: site greenpeace
sexta-feira, 1 de julho de 2011
BOA NOTÍCIA PARA O MEIO AMBIENTE
chega ao mercado o 1º açúcar sustentável
22 Junho 2011
© Martin Harvey / WWF-Canon
Brasil já cana de açúcar com padrão de qualidade ambiental.
A primeira certificação de acordo com o padrão de sustentabilidade ambiental e social da Bonsucro é a da usina Raízen Maracaí, com uma produção de mais de 130 mil toneladas de açúcar e 63 mil metros cúbicos de etanol. O primeiro comprador do açúcar certificado foi a engarrafadora local da Coca Cola.
Bonsucro é uma iniciativa mundial por parte de múltiplas partes interessadas para reduzir os impactos ambientais e sociais da produção de cana-de-açúcar. Ela foi desenvolvida a partir de outro movimento mais antigo, a Iniciativa pela Melhor Açúcar-de-Cana, da Rede WWF. O padrão Bonsucro de melhor manejo da cana-de-açúcar identifica e trata dos principais impactos sociais e ambientais da produção de cana-de-açúcar em áreas como a adequação à legislação, impactos sobre a biodiversidade e os ecossistemas, direitos humanos, produção e processamento, estabelecendo indicadores de melhoria contínua.
“Como parte de nossos esforços para tornar sustentável a base do mercado mundial de açúcar, o foco da Rede WWF será, agora, trabalhar junto aos produtores para promover a certificação conforme o padrão Bonsucro, bem como trabalhar com os líderes da indústria e com seus principais compradores para que eles assumam o compromisso em relação a seus fornecedores”, disse Ogorzalek.
“O Brasil demonstrou ter grande liderança ao fazer ao fazer com que a indústria se aproxime de um modelo de negócio mais sustentável. A Rede WWF continua compromissada com o trabalho junto às partes interessadas nessa região para monitorar e continuar a aperfeiçoar os padrões, e garantir que eles resultem, efetivamente, na conservação do meio ambiente.”
"Considerando a demanda por água da lavoura de cana de açúcar, a certificação é um alento para o futuro mais sustentável do cultivo, para fazer frente às necessidades globais de biocombustíveis, que certamente irá alavancar o cultivo de cana", disse Samuel Barreto, coordenador do Programa Água para a Vida, do WWF-Brasil. Além disso, segundo Barrêto, o estimulo à participação é da cadeia produtiva é fundamental para estimular e promover boa governança nas bacias hidrográficas.
Para o coordenador do Programa Agricultura e Meio Ambiente, do WWF-Brasil, Cássio Franco Moreira, coordenador do Programa Agricultura e Meio Ambiente do WWF-Brasil, trata-se de um avanço considerável para garantir a sustentabilidade ambiental futura da produção de açúcar e etanol.
“Para o Brasil, é a melhor maneira de aproveitar de forma racional e sustentável sua inequívoca liderança nestes segmentos", avaliou Cassio Moreira Franco, coordenador do Programa Agricultura e Meio Ambiente do WWF-Brasil.
terça-feira, 28 de junho de 2011
CAMPANHA USO RACIONAL DA ÁGUA
CONTAMOS COM O APOIO DE EMPRESA PREOCUPADAS COM AS QUESTÕES AMBIENRAIS.
PARTICIPE COLOQUE SUAS LOGOMARCA EM NOSSOS CARTAZES.
domingo, 26 de junho de 2011
Baleias à vista!
Postado por dbambace - 16 - jun - 2011 às 18:30 5 comentários O mês de julho ainda nem começou e as primeiras baleias da temporada de 2011 já chegaram ao nosso litoral. Uma equipe do Greenpeace teve o prazer de realizar a primeira avistagem de baleias jubarte na costa baiana desse ano e não faltou emoção para quem estava a bordo. Eram quatro animais - três machos competindo por uma fêmea, comportamento típico a partir dessa época do ano.
Vindas da Antártida, as baleias visitam as águas quentes para namorar e para ter seus filhotes. Confira algumas fotos da avistagem:
Postado por dbambace - 16 - jun - 2011 às 18:30 5 comentários O mês de julho ainda nem começou e as primeiras baleias da temporada de 2011 já chegaram ao nosso litoral. Uma equipe do Greenpeace teve o prazer de realizar a primeira avistagem de baleias jubarte na costa baiana desse ano e não faltou emoção para quem estava a bordo. Eram quatro animais - três machos competindo por uma fêmea, comportamento típico a partir dessa época do ano.
Vindas da Antártida, as baleias visitam as águas quentes para namorar e para ter seus filhotes. Confira algumas fotos da avistagem:
OS RESULTADOS DA AÇÃO HUMANA
Publicação mostra que ação humana foi responsável por deslizamentos no Rio
22 Junho 2011
© Juliano Spyer/Flickr
Técnicos constataram que pelo menos 92% dos casos foram ocasionados por ocupação irregular das áreas.
Links relacionados
Publicação "Áreas de Preservação Permanente e Unidades de Conservação x Áreas de Risco - O que uma coisa tem a ver com a outra?"
Publicação "Pagamentos por Serviços Ambientais na Mata Atlântica - Lições Aprendidas e Desafios"
Publicação lançada nesta terça-feira (21) ajuda, pela abordagem técnica e por uma gigantesca documentação em imagens, a desmontar falsos argumentos sobre necessidade de manutenção das reservas legais e das áreas de preservação permanente (APPs). O livro “Áreas de Preservação Permanente e Unidades de Conservação X Áreas de Risco – o que uma coisa tem a ver com a outra” é o relatório de inspeção da área atingida pela tragédia das chuvas na Região Serrana do Rio de Janeiro no último verão. Foi publicado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) com o apoio do WWF-Brasil e outras organizações.
As conclusões são estarrecedoras. Os técnicos do MMA avaliaram 657 deslizamentos ocorridos numa área de 6 mil hectares. Constataram que 92% dos acidentes foram ocasionados por ocupações indevidas das áreas. Nos restantes 8% dos casos não foi possível identificar a pressão antrópica como causadora dos deslizamentos.
De acordo com o coordenador do estudo, Wigold Schaffer, as áreas mais afetadas são exatamente aquelas que o Código Florestal determina que devem ser preservadas e que a reforma em tramitação no Congresso permite o desmatamento: margens de rios, encostas com alta declividade e topos de morro.
"A constatação é que as áreas protegidas são as que oferecem riscos quando ocupadas. O estudo demonstra que a intervenção antrópica contribuiu para os resultados que ocasionaram em perdas humanas e patrimoniais", disse.
Schaffer contou que as áreas de agricultura consolidadas em APPS – que a proposta de reforma do Código Florestal quer manter desmatadas - também foram muito atingidas. Além da perda da lavoura, da safra e do solo, houve ainda a morte de cerca de 40 agricultores que construíram suas casas dentro de APPs.
De acordo com o superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, a publicação é “fundamental para desmontar falsas retóricas”, mostrando que a raiz do problema está no uso indevido de áreas protegidas. “Esta publicação ajudará na mobilização da sociedade e colaborará para dar ao poder público a coragem para enfrentar desafios e responsabilidades nas discussões a respeito do Código Florestal”, disse Scaramuzza.
A reforma do Código Florestal, que tramita agora no Senado Federal, permite o desmatamento de APPs e de Reservas Legais e anistia todas as ocupações irregulares de APPs, desobrigando sua restauração.
Esse desmonte do Código Florestal vai na contramão de pesquisa de opinião feita pelo Instituto Datafolha. O levantamento mostra que a imensa maioria da população é contra as mudanças. Para 85% dos entrevistados, a prioridade deve ser a proteção das florestas e dos rios, e não a produção agropecuária. A pesquisa concluiu também que apenas 5% da população concordam com o perdão a desmatadores. Para 79% dos entrevistados, se a anistia for aprovada pelo Congresso, a presidente Dilma deveria vetar o perdão.
Também ontem, o MMA lançou o livro “Pagamentos por Serviços Ambientais na Mata Atlântica - Lições aprendidas e desafios”. O estudo reúne 78 iniciativas já em curso na Mata Atlântica. Os projetos contribuem para a restauração de matas ciliares, proteção e conservação da biodiversidade e ações de conservação e manutenção de recursos hídricos.
As publicações estão disponíveis na internet, pelo portal do MMA, ou podem ser acessadas nos links abaixo:
Áreas de Preservação Permanente e Unidades de Conservação x Áreas de Risco - O que uma coisa tem a ver com a outra?
Pagamentos por Serviços Ambientais na Mata Atlântica - Lições Aprendidas e Desafios
22 Junho 2011
© Juliano Spyer/Flickr
Técnicos constataram que pelo menos 92% dos casos foram ocasionados por ocupação irregular das áreas.
Links relacionados
Publicação "Áreas de Preservação Permanente e Unidades de Conservação x Áreas de Risco - O que uma coisa tem a ver com a outra?"
Publicação "Pagamentos por Serviços Ambientais na Mata Atlântica - Lições Aprendidas e Desafios"
Publicação lançada nesta terça-feira (21) ajuda, pela abordagem técnica e por uma gigantesca documentação em imagens, a desmontar falsos argumentos sobre necessidade de manutenção das reservas legais e das áreas de preservação permanente (APPs). O livro “Áreas de Preservação Permanente e Unidades de Conservação X Áreas de Risco – o que uma coisa tem a ver com a outra” é o relatório de inspeção da área atingida pela tragédia das chuvas na Região Serrana do Rio de Janeiro no último verão. Foi publicado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) com o apoio do WWF-Brasil e outras organizações.
As conclusões são estarrecedoras. Os técnicos do MMA avaliaram 657 deslizamentos ocorridos numa área de 6 mil hectares. Constataram que 92% dos acidentes foram ocasionados por ocupações indevidas das áreas. Nos restantes 8% dos casos não foi possível identificar a pressão antrópica como causadora dos deslizamentos.
De acordo com o coordenador do estudo, Wigold Schaffer, as áreas mais afetadas são exatamente aquelas que o Código Florestal determina que devem ser preservadas e que a reforma em tramitação no Congresso permite o desmatamento: margens de rios, encostas com alta declividade e topos de morro.
"A constatação é que as áreas protegidas são as que oferecem riscos quando ocupadas. O estudo demonstra que a intervenção antrópica contribuiu para os resultados que ocasionaram em perdas humanas e patrimoniais", disse.
Schaffer contou que as áreas de agricultura consolidadas em APPS – que a proposta de reforma do Código Florestal quer manter desmatadas - também foram muito atingidas. Além da perda da lavoura, da safra e do solo, houve ainda a morte de cerca de 40 agricultores que construíram suas casas dentro de APPs.
De acordo com o superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, a publicação é “fundamental para desmontar falsas retóricas”, mostrando que a raiz do problema está no uso indevido de áreas protegidas. “Esta publicação ajudará na mobilização da sociedade e colaborará para dar ao poder público a coragem para enfrentar desafios e responsabilidades nas discussões a respeito do Código Florestal”, disse Scaramuzza.
A reforma do Código Florestal, que tramita agora no Senado Federal, permite o desmatamento de APPs e de Reservas Legais e anistia todas as ocupações irregulares de APPs, desobrigando sua restauração.
Esse desmonte do Código Florestal vai na contramão de pesquisa de opinião feita pelo Instituto Datafolha. O levantamento mostra que a imensa maioria da população é contra as mudanças. Para 85% dos entrevistados, a prioridade deve ser a proteção das florestas e dos rios, e não a produção agropecuária. A pesquisa concluiu também que apenas 5% da população concordam com o perdão a desmatadores. Para 79% dos entrevistados, se a anistia for aprovada pelo Congresso, a presidente Dilma deveria vetar o perdão.
Também ontem, o MMA lançou o livro “Pagamentos por Serviços Ambientais na Mata Atlântica - Lições aprendidas e desafios”. O estudo reúne 78 iniciativas já em curso na Mata Atlântica. Os projetos contribuem para a restauração de matas ciliares, proteção e conservação da biodiversidade e ações de conservação e manutenção de recursos hídricos.
As publicações estão disponíveis na internet, pelo portal do MMA, ou podem ser acessadas nos links abaixo:
Áreas de Preservação Permanente e Unidades de Conservação x Áreas de Risco - O que uma coisa tem a ver com a outra?
Pagamentos por Serviços Ambientais na Mata Atlântica - Lições Aprendidas e Desafios
terça-feira, 21 de junho de 2011
O LIXO BATE Á PORTA DOS MUNICÍPIOS
Dilmércio Daleffe Fale com o repórter
Dilmércio Daleffe
Ninguém deseja manter o lixo próximo de sua casa. As prefeituras, também não. Mais fácil seria jogar os detritos domésticos em um terreno qualquer, de preferência longe dos olhos da população e encerrar o caso. Assim, vez em quando, remexer a terra e dar uma “garibada” no problema. Há 20 anos, esta era a realidade da maioria das cidades brasileiras. Mas uma legislação apareceu e começou a modificar a situação. A cruz começou a ser lavada. Hoje, no entanto, alguns municípios insistem em manter o lixo “escondido” dos eleitores, embora a céu aberto, ameaçando a saúde pública e agravando a degradação ambiental. Ao mesmo tempo, outras prefeituras solucionaram o problema definitivamente apenas, exportando o seu lixo.
Lixo é lixo e ponto final. Ninguém em sã consciência gostaria de lidar com ele. Trata-se de um sub-produto humano, de restos de tudo o que, em tese, não serve mais para nada. Por isso mesmo começou ser um dos maiores problemas dos tempos modernos. A medida em que a população aumenta, ele cresce. Em 2002, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aperfeiçoou a versão de aterros sanitários, principalmente, por entender que lixões a céu aberto comprometem a qualidade de vida das populações. Para isso, o órgão considerou as dificuldades que os municípios de pequeno porte enfrentam na implantação e operação de aterro sanitário de resíduos sólidos. A obra não é barata, e necessita de inúmeros procedimentos ambientais. Ou seja, requer tempo, dinheiro e muita burocracia. Em resumo, dilema aos nobres prefeitos.
Por estes e outros motivos, municípios como Terra Boa – 52 quilômetros de Campo Mourão – decidiram por uma iniciativa inédita do Estado. Lá, o lixo não é mais um problema, simplesmente, porque eles deram um fim, literalmente, nos resíduos sólidos. Há dois anos, a prefeitura decidiu “exportar” os detritos domésticos a um aterro padrão em Cianorte. Lixo mesmo na cidade só é visto nas lixeiras das casas e em nenhum outro local. O caminhão passa, apanha as sacolinhas e depois desaparece. É como se fosse virtual. Depois disso percorre 23 quilômetros até o destino final, no aterro da Sanepar, em Cianorte. Pelo trabalho, a população paga a bagatela de R$70 a tonelada, cerca de R$10 a R$12 mil por mês.
“Ainda é barato frente ao que teríamos que pagar se mantivéssemos um aterro aqui”, afirma Claudemir Batista de Souza, secretário Administrativo de Terra Boa. Segundo ele, somente para construir um local destinado ao lixo seriam necessários R$600 mil. Ele explica que, além de ter menos custos, hoje, ainda se livra dos burocráticos processos do Instituto Ambiental do Paraná (Iap). “Definitivamente, não compensa”, disse. Até pouco tempo, Terra Boa recolhia cerca de 9 toneladas de lixo ao dia. Após um trabalho de conscientização popular, quando ensinou-se a importância da coleta seletiva de recicláveis, o lixo despencou para cinco toneladas ao dia.
Não é exagero dizer que Terra Boa é bastante organizada quanto ao lixo. Além dos resíduos serem “exportados” – solucionando de vez o antigo problema – um carro passa duas vezes por semana em toda a cidade recolhendo os recicláveis. Quase todo mundo colabora. O material é levado para uma cooperativa de coletores onde fazem a separação para depois vender o produto. Hoje não se vêem mais pessoas com carrinhos recolhendo papelão pelas ruas. É que eles foram organizados pelo município. São seis pessoas, cada uma recebe quase R$600 por mês. Um deles é o seo Cirilo José de Jesus. Aos 78 anos de idade ele se orgulha em participar do grupo. Aposentado, ele se diz contente com o novo emprego. “Podia ficar em casa. Mas a minha natureza não deixa eu ficar parado”, diz.
Exemplo a não ser seguido
Mas nem todos os municípios têm boas idéias para estancar a ferida do lixo. Distante 72 quilômetros de Campo Mourão, Nova Tebas, por exemplo, mantém um verdadeiro criadouro de moscas e varejeiras, um lixão a céu aberto. Lá, às margens da rodovia BR-487, sem nenhum cuidado e proteção, a prefeitura continua a semear os resíduos. Quase que diariamente, caminhões da prefeitura semeiam detritos de toda a natureza. É todo o lixo da cidade, desde orgânicos, passando por restos de merenda escolar, até remédios veterinários. Uma prática comum durante muitos anos. Muita gente continua sobrevivendo do local.
Mas de acordo com informações repassadas pela própria prefeitura, ninguém, oficialmente dizendo, tem orgulho da situação. Boas notícias também acabam de chegar. É que recursos estão a caminho para que o município inicie a construção de um aterro regulamentado, seguindo as normas ambientais. A obra deve ser iniciada na próxima semana. Talvez esta seja a saída definitiva para o cenário irreal confeccionado durante vários anos às margens da BR-487 pelos prefeitos anteriores de Nova Tebas.
fonte tribuna do interior.seu Cirilo
Dilmércio Daleffe
Ninguém deseja manter o lixo próximo de sua casa. As prefeituras, também não. Mais fácil seria jogar os detritos domésticos em um terreno qualquer, de preferência longe dos olhos da população e encerrar o caso. Assim, vez em quando, remexer a terra e dar uma “garibada” no problema. Há 20 anos, esta era a realidade da maioria das cidades brasileiras. Mas uma legislação apareceu e começou a modificar a situação. A cruz começou a ser lavada. Hoje, no entanto, alguns municípios insistem em manter o lixo “escondido” dos eleitores, embora a céu aberto, ameaçando a saúde pública e agravando a degradação ambiental. Ao mesmo tempo, outras prefeituras solucionaram o problema definitivamente apenas, exportando o seu lixo.
Lixo é lixo e ponto final. Ninguém em sã consciência gostaria de lidar com ele. Trata-se de um sub-produto humano, de restos de tudo o que, em tese, não serve mais para nada. Por isso mesmo começou ser um dos maiores problemas dos tempos modernos. A medida em que a população aumenta, ele cresce. Em 2002, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aperfeiçoou a versão de aterros sanitários, principalmente, por entender que lixões a céu aberto comprometem a qualidade de vida das populações. Para isso, o órgão considerou as dificuldades que os municípios de pequeno porte enfrentam na implantação e operação de aterro sanitário de resíduos sólidos. A obra não é barata, e necessita de inúmeros procedimentos ambientais. Ou seja, requer tempo, dinheiro e muita burocracia. Em resumo, dilema aos nobres prefeitos.
Por estes e outros motivos, municípios como Terra Boa – 52 quilômetros de Campo Mourão – decidiram por uma iniciativa inédita do Estado. Lá, o lixo não é mais um problema, simplesmente, porque eles deram um fim, literalmente, nos resíduos sólidos. Há dois anos, a prefeitura decidiu “exportar” os detritos domésticos a um aterro padrão em Cianorte. Lixo mesmo na cidade só é visto nas lixeiras das casas e em nenhum outro local. O caminhão passa, apanha as sacolinhas e depois desaparece. É como se fosse virtual. Depois disso percorre 23 quilômetros até o destino final, no aterro da Sanepar, em Cianorte. Pelo trabalho, a população paga a bagatela de R$70 a tonelada, cerca de R$10 a R$12 mil por mês.
“Ainda é barato frente ao que teríamos que pagar se mantivéssemos um aterro aqui”, afirma Claudemir Batista de Souza, secretário Administrativo de Terra Boa. Segundo ele, somente para construir um local destinado ao lixo seriam necessários R$600 mil. Ele explica que, além de ter menos custos, hoje, ainda se livra dos burocráticos processos do Instituto Ambiental do Paraná (Iap). “Definitivamente, não compensa”, disse. Até pouco tempo, Terra Boa recolhia cerca de 9 toneladas de lixo ao dia. Após um trabalho de conscientização popular, quando ensinou-se a importância da coleta seletiva de recicláveis, o lixo despencou para cinco toneladas ao dia.
Não é exagero dizer que Terra Boa é bastante organizada quanto ao lixo. Além dos resíduos serem “exportados” – solucionando de vez o antigo problema – um carro passa duas vezes por semana em toda a cidade recolhendo os recicláveis. Quase todo mundo colabora. O material é levado para uma cooperativa de coletores onde fazem a separação para depois vender o produto. Hoje não se vêem mais pessoas com carrinhos recolhendo papelão pelas ruas. É que eles foram organizados pelo município. São seis pessoas, cada uma recebe quase R$600 por mês. Um deles é o seo Cirilo José de Jesus. Aos 78 anos de idade ele se orgulha em participar do grupo. Aposentado, ele se diz contente com o novo emprego. “Podia ficar em casa. Mas a minha natureza não deixa eu ficar parado”, diz.
Exemplo a não ser seguido
Mas nem todos os municípios têm boas idéias para estancar a ferida do lixo. Distante 72 quilômetros de Campo Mourão, Nova Tebas, por exemplo, mantém um verdadeiro criadouro de moscas e varejeiras, um lixão a céu aberto. Lá, às margens da rodovia BR-487, sem nenhum cuidado e proteção, a prefeitura continua a semear os resíduos. Quase que diariamente, caminhões da prefeitura semeiam detritos de toda a natureza. É todo o lixo da cidade, desde orgânicos, passando por restos de merenda escolar, até remédios veterinários. Uma prática comum durante muitos anos. Muita gente continua sobrevivendo do local.
Mas de acordo com informações repassadas pela própria prefeitura, ninguém, oficialmente dizendo, tem orgulho da situação. Boas notícias também acabam de chegar. É que recursos estão a caminho para que o município inicie a construção de um aterro regulamentado, seguindo as normas ambientais. A obra deve ser iniciada na próxima semana. Talvez esta seja a saída definitiva para o cenário irreal confeccionado durante vários anos às margens da BR-487 pelos prefeitos anteriores de Nova Tebas.
fonte tribuna do interior.seu Cirilo
segunda-feira, 20 de junho de 2011
VEREADORES DE PORTO ALEGRE REPUDIAM REFORMA NO CÓDIGO FLORESTAL
Por Warner Bento Filho
A Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou moção de repúdio ao projeto de reforma do Código Florestal, em tramitação no Senado Federal. A moção, aprovada por 15 votos favoráveis e oito contrários, foi requerida pelos vereadores do PSOL Fernanda Melchionna e Pedro Ruas.
A decisão dos parlamentares de Porto Alegre está em consonância com o que pensa a população brasileira, de acordo com pesquisa do instituto Datafolha. O estudo, realizado entre 3 e 7 de junho, mostrou que a maioria da população não concorda com os principais pontos do texto. Para 85% dos entrevistados, a prioridade deve ser a proteção das florestas e dos rios, e não a produção agropecuária.
A pesquisa, que ouviu 1.286 pessoas em todo o Brasil, concluiu também que apenas 5% da população concordam com o perdão a desmatadores em relação à reposição da vegetação natural, mesmo que tenham derrubado florestas para produzir.
A população tampouco concorda com a proposta de anistiar as multas aplicadas. Uma das propostas do novo Código Florestal é que todos os proprietários de terra que desmataram ilegalmente até junho de 2008 fiquem isentos de multas e punições. O Datafolha perguntou se o entrevistado era “a favor ou contra que esses proprietários de terra sejam perdoados das multas”, e 79% das pessoas ouvidas disseram ser contra perdoar as multas.
O mesmo percentual de brasileiros também considera que, se a anistia for aprovada pelo Congresso, a presidente Dilma deveria vetar o perdão.
A pesquisa mostrou, ainda, que os eleitores não estão dispostos a votar novamente em parlamentar que votar a favor da isenção de multas e de punições aos proprietários de terra que desmataram ilegalmente. Entre os entrevistados, 84% disseram que não votariam novamente nestes parlamentares.
A vereadora Fernanda Melchionna considera o texto de reforma do Código Florestal um retrocesso sem precedentes na política ambiental. “O relatório desmonta a nossa legislação ambiental e permite o desmatamento desenfreado”, disse.
De acordo com a vereadora, é fundamental agora que a sociedade se mobilize para pressionar o Congresso e o Governo Federal. No domingo (26), a população de Porto Alegre participa de protesto contra a reforma do Código Florestal. O ato ocorre pela manhã, no Brique da Redenção.
De acordo com o superintendente de conservação do WWF-Brasil, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, a proposta de reforma do código Florestal implica em imensas perdas econômicas para o setor agropecuário no Brasil. As perdas, segundo o ambientalista, estão relacionadas a pelo menos três pontos: acesso a mercados, acesso a pagamentos por serviços ambientais e gestão de recursos naturais, base da agricultura.
“A tendência dos mercados mundiais é de ampliação de espaço para produtos sustentáveis, ao mesmo tempo em que os consumidores não querem adquirir nada que signifique agressão à natureza”, diz Scaramuzza.
A Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou moção de repúdio ao projeto de reforma do Código Florestal, em tramitação no Senado Federal. A moção, aprovada por 15 votos favoráveis e oito contrários, foi requerida pelos vereadores do PSOL Fernanda Melchionna e Pedro Ruas.
A decisão dos parlamentares de Porto Alegre está em consonância com o que pensa a população brasileira, de acordo com pesquisa do instituto Datafolha. O estudo, realizado entre 3 e 7 de junho, mostrou que a maioria da população não concorda com os principais pontos do texto. Para 85% dos entrevistados, a prioridade deve ser a proteção das florestas e dos rios, e não a produção agropecuária.
A pesquisa, que ouviu 1.286 pessoas em todo o Brasil, concluiu também que apenas 5% da população concordam com o perdão a desmatadores em relação à reposição da vegetação natural, mesmo que tenham derrubado florestas para produzir.
A população tampouco concorda com a proposta de anistiar as multas aplicadas. Uma das propostas do novo Código Florestal é que todos os proprietários de terra que desmataram ilegalmente até junho de 2008 fiquem isentos de multas e punições. O Datafolha perguntou se o entrevistado era “a favor ou contra que esses proprietários de terra sejam perdoados das multas”, e 79% das pessoas ouvidas disseram ser contra perdoar as multas.
O mesmo percentual de brasileiros também considera que, se a anistia for aprovada pelo Congresso, a presidente Dilma deveria vetar o perdão.
A pesquisa mostrou, ainda, que os eleitores não estão dispostos a votar novamente em parlamentar que votar a favor da isenção de multas e de punições aos proprietários de terra que desmataram ilegalmente. Entre os entrevistados, 84% disseram que não votariam novamente nestes parlamentares.
A vereadora Fernanda Melchionna considera o texto de reforma do Código Florestal um retrocesso sem precedentes na política ambiental. “O relatório desmonta a nossa legislação ambiental e permite o desmatamento desenfreado”, disse.
De acordo com a vereadora, é fundamental agora que a sociedade se mobilize para pressionar o Congresso e o Governo Federal. No domingo (26), a população de Porto Alegre participa de protesto contra a reforma do Código Florestal. O ato ocorre pela manhã, no Brique da Redenção.
De acordo com o superintendente de conservação do WWF-Brasil, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, a proposta de reforma do código Florestal implica em imensas perdas econômicas para o setor agropecuário no Brasil. As perdas, segundo o ambientalista, estão relacionadas a pelo menos três pontos: acesso a mercados, acesso a pagamentos por serviços ambientais e gestão de recursos naturais, base da agricultura.
“A tendência dos mercados mundiais é de ampliação de espaço para produtos sustentáveis, ao mesmo tempo em que os consumidores não querem adquirir nada que signifique agressão à natureza”, diz Scaramuzza.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
MATA ATLÂNTICA
Em jogo a conservação da Mata Atlântica
19 Maio 2011
© WWF-Brasil
Para jogar, visite http://mataatlantica.wwf.org.br/mataemjogo
Links relacionados
Jogue o quiz Mata Atlântica em Jogo
Saiba mais sobre o quiz
Para comemorar o Dia da Mata Atlântica (27/05), o WWF-Brasil disponibiliza em seu site um jogo educativo e bem humorado sobre o bioma, um dos recordistas em número de animais e plantas no planeta. “Mata Atlântica em Jogo” pretende despertar em cada brasileiro a curiosidade em conhecer, respeitar e preservar essa ecorregião e sua biodiversidade.
O aplicativo para internet traz uma série de perguntas e várias opções de respostas. Vídeos, sons, fotos e curiosidades sobre a Mata Atlântica trazem o máximo da sensação de diversidade e realidade encontradas na Mata Atlântica.O objetivo é fazer com que o internauta possa se divertir e aprender. A cada acesso, dez questões são sorteadas aleatoriamente. O resultado revela o conhecimento do jogador, transformando a porcentagem de acertos em quantidade de mata preservada que existe no coração de cada um.
O jogo é voltado para jovens e adultos, mas pode ser também uma ótima oportunidade para pais e mães apresentarem a Mata Atlântica para as crianças.
Para jogar, acesse mataatlantica.wwf.org.br/mataemjogo
Ciclo de devastação
Em 1832, o naturalista Charles Darwin* ficou maravilhado ao vivenciar a exuberância da fauna e da flora de uma então quase intocada Mata Atlântica, se extendendo pelo litoral brasileiro e chegando até o Paraguai e a Argentina.
Observando paisagens que desapareceram ao longo do tempo, ele comentou que “É fácil especificar os objetos de admiração nesses cenários grandiosos, mas não é possível oferecer uma ideia adequada das emoções que sentimos, entre maravilhados, surpresos e com sublime devoção, capazes de elevar a mente”.
Mas, o que já foi a segunda maior floresta tropical do mundo, ocupando porções da Argentina, Paraguai e principalmente do Brasil, onde alcançava 17 estados e mais de 3.200 municípios, está hoje extremamente reduzida. Restando menos de 30% de sua vegetação original, a Mata Atlântica também enfrenta a alta fragmentação de seus remanescentes, sendo reconhecido como o mais degradado dos biomas brasileiros. Parcelas mais antigas e íntegras da floresta somam menos de 7%.
Todos os ciclos econômicos, do Pau-Brasil, da mineração de ouro e diamantes, da criação de gado, da cana-de-açúcar e café, a industrialização, a exportação de madeira e os mais recentes plantios de soja e fumo, de eucalipto e pinus, foram ao longo do tempo consumindo a Mata Atlântica. As cidades, hidrelétricas e outros grandes empreendimentos seguem avançando sobre que resta da floresta.
Todavia, se o atual Código Florestal tivesse sido plenamente cumprido, teríamos 30% da Mata Atlântica original, sem contar parques nacionais e outras unidades de conservação.
“O Brasil deve continuar perseguindo o cumprimento de metas nacionais de proteção do bioma. Temos o dever de avançar na manutenção e, principalmente, na recuperação da Mata Atlântica. A sociedade brasileira tem os meios para transformar a Mata Atlântica em um grande caso de sucesso”, afirma Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.
Benefícios e conservação
Mesmo com toda essa devastação, as florestas que sobrevivem ainda ajudam a evitar a queda de encostas, proteger rios e lagos, regular o clima e a qualidade do ar e a oferecer água para oito em cada dez brasileiros, ou mais de 120 milhões de pessoas.
Grandes capitais como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR) e Belo Horizonte (MG) dependem completamente das águas que afloram no que resta do bioma e correm por rios como Paraná, Tietê, Doce, Paraíba do Sul, São Francisco, Paranapanema e Ribeira do Iguape, entre muitos outros.
A Mata Atlântica possui mais de 15 mil espécies de plantas, sendo 45% endêmicas do bioma. Tamanha riqueza representa 5% da flora mundial. O recorde de tipos diferentes de árvores na Amazônia peruana foi de 300 espécies por hectare. Na Mata Atlântica, foram registradas 443 espécies por hectare em Santa Tereza (ES) e 454 no Parque Estadual da Serra do Conduru (BA). Já de animais, o bioma abriga 8 mil espécies, sendo 35% endêmicas. São 848 espécies de aves, 370 de anfíbios, 200 de répteis, 270 de mamíferos e cerca de 350 de peixes.
Atualmente, a Mata Atlântica tem menos de 9% de sua área protegida, mas menos de 2,3% são de unidades de conservação de proteção integral. Na última década, ela ganhou 14 áreas protegidas, somando aproximadamente 400 mil hectares e inluindo o parque estadual de Bertioga, criado pelo governo do Estado de São Paulo em 2010, com apoio do WWF-Brasil. Há 627 reservas particulares na Mata Atlântica, perfazendo mais de 130 mil hectares.
* A citação de Darwin foi retirada de Entendendo Darwin – A viagem a Bordo do HMS Beagle pela América do Sul. Apresentação Marcelo Gleiser / Editora Planeta, São Paulo, 2009
sábado, 11 de junho de 2011
PESQUSA MOSTRA OPINIÃO DOS BRASILEIRSO SOBRE A PROPOSTA DO "NOVO CÓDIGO" FLORESTAL
11 Junho 2011
Pesquisa Datafolha confirma que população é contra destruição das florestas
O instituto de pesquisa Datafolha divulgou estudo sobre a percepção do brasileiro em relação à proposta de mudanças no Código Florestal. Foram entrevistadas mais de 1,2 mil pessoas em todo o país, entre os dias 03 e 07 de junho. A pesquisa foi realizada a pedido de organizações ambientalistas e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Na avaliação do superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, a pesquisa é um instrumento muito importante para compreender a opinião da população em torno de assunto que tem gerado tantos debates.
“É extraordinário constatar que uma parte tão grande da população brasileira rejeite a proposta de reforma do Código Florestal aprovada na Câmara”, afirmou Scaramuzza.
“Agora é a hora de o Senado ouvir a voz do povo e impedir o desmantelamento do Código Florestal. A forte preocupação da população com a conservação das florestas é o alicerce para o governo se empenhar de forma firme junto aos senadores para aperfeiçoar a lei atual assegurando sua implementação efetiva e o cumprimento das metas de reduções de emissões do Brasil. Dessa forma, teremos florestas melhor conservadas, água para as cidades e áreas rurais, habitat para a biodiversidade, solos e polinizadores para a agricultura, além de darmos nossa contribuição para um clima mais seguro”, avaliou.
Confira abaixo o resumo e os resultados da pesquisa Datafolha:
1. A pesquisa visa avaliar o conhecimento e a opinião da população sobre os temas abordados na proposta conhecida como "novo Código Florestal" e votada pela Câmara dos Deputados no final de maio. O questionário foi realizado e aplicado pela Datafolha, por solicitação de Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, Imaflora, Imazon, Instituto Socioambiental, SOS Mata Atlântica e WWF-Brasil.
2. Foi realizada pesquisa quantitativa, com abordagem pessoal dos entrevistados, mediante questionário estruturado com cerca de 10 minutos de aplicação. A checagem foi simultânea à coleta de dados e cobriu cerca de 20% do material de cada pesquisador. Trata-se de uma pesquisa com abrangência nacional, incluindo áreas urbanas e rurais, e o universo pesquisado foi de pessoas com 16 anos ou mais, com telefone fixo. O levantamento foi realizado entre os dias 3 e 7 de junho de 2011. Foram realizadas 1.286 entrevistas. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.
3. O resultado é relativamente homogêneo entre as diferentes regiões e classes de renda (com diferenças pouco expressivas) e ainda mais homogêneo quando se considere a área urbana versus a rural. Neste caso, a diferença está quase sempre dentro da margem de erro, apontando para uma opinião bastante consistente entre campo e cidade.
4. O fato que houve expressiva cobertura midiática sobre a recente votação na Câmara dos Deputados fez com que quase dois terços da população declarem ter tomado conhecimento da votação, embora a parcela que se declara bem informada seja modesta, o que reflete a complexidade do tema.
5. Em geral, a pesquisa revela uma opinião pública com forte preocupação pela conservação das florestas, até mesmo quando esta é colocada como eventual fator limitante da produção agropecuária; dependendo das perguntas, a porcentagem dos brasileiros que discordam da proposta votada na Câmara dos Deputados varia entre 77% (a favor do adiamento do debate para ouvir a ciência) e 95% (que não aceitam perdoar desmatamento ilegal sem recuperação).
6. Na pergunta básica e introdutiva, na qual se coloca a alternativa entre dar prioridade para a proteção das florestas (mesmo que isso limite a produção agropecuária) ou para produção (mesmo que limite a proteção das florestas), a primeira alternativa recebe 85% e a segunda, 10%, com 5% de "não sei".
7. No caso do perdão do desmatamento ilegal, foram realizadas perguntas diferentes. Quando se oferecem três opções qualificadas, com uma intermediária, é possível observar como a primeira escolha da população seja em prol da mais rigorosa, isto é a de punir em qualquer caso para dar o exemplo, escolhida por 48% dos entrevistados; em seguida vem a opção intermediária (a de punir só quem se recusa a repor a floresta) com 45%, enquanto a opção de perdoar sem repor a floresta, objeto da proposta votada pela Câmara dos Deputados, atinge meros 5%. Quando se apresentam apenas duas opções, 79% se declaram em geral contra perdoar penalidades e multas (com 19% que aceitam esta possibilidade) e 77% se declaram contra a dispensa da reposição da floresta (com 21% que a admitem).
8. Já no caso da ocupação das Áreas de Preservação Permanente (encostas, topos de morro, várzeas, etc.), prevalece a opção intermediária, ou seja, a de manter apenas cultivos que segurem o solo e não gerem riscos de acidentes, com 66%, seguida da opção de remover todos os cultivos, com 25%, enquanto aquela de manter todos os cultivos - conforme proposta aprovada pela Câmara dos Deputados - é apoiada por apenas 7% da população.
9. A opinião geral sobre o tema é confirmada quando se passa a considerar as implicações políticas: 79% apoiam o eventual veto da presidente, no caso em que o Senado validasse a proposta da Câmara. Trata-se de uma parcela muito superior àquela que aprova em geral a atuação da presidente, que foi de 47% na mais recente pesquisa Datafolha, em março. Uma parcela ainda maior, atingindo 84%, afirma que não votaria em deputados e senadores que tenham votado a favor do perdão de desmatamento ilegal.
10. Uma parcela levemente inferior, atingindo 77%, apoia a proposta da comunidade dos cientistas para adiar a votação no Senado, de forma a ter mais embasamento técnico-científico na nova legislação, enquanto 20% consideram que seria melhor votar imediatamente, de qualquer forma.
FOTO DE ZIG KOCH
Pesquisa Datafolha confirma que população é contra destruição das florestas
O instituto de pesquisa Datafolha divulgou estudo sobre a percepção do brasileiro em relação à proposta de mudanças no Código Florestal. Foram entrevistadas mais de 1,2 mil pessoas em todo o país, entre os dias 03 e 07 de junho. A pesquisa foi realizada a pedido de organizações ambientalistas e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Na avaliação do superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, a pesquisa é um instrumento muito importante para compreender a opinião da população em torno de assunto que tem gerado tantos debates.
“É extraordinário constatar que uma parte tão grande da população brasileira rejeite a proposta de reforma do Código Florestal aprovada na Câmara”, afirmou Scaramuzza.
“Agora é a hora de o Senado ouvir a voz do povo e impedir o desmantelamento do Código Florestal. A forte preocupação da população com a conservação das florestas é o alicerce para o governo se empenhar de forma firme junto aos senadores para aperfeiçoar a lei atual assegurando sua implementação efetiva e o cumprimento das metas de reduções de emissões do Brasil. Dessa forma, teremos florestas melhor conservadas, água para as cidades e áreas rurais, habitat para a biodiversidade, solos e polinizadores para a agricultura, além de darmos nossa contribuição para um clima mais seguro”, avaliou.
Confira abaixo o resumo e os resultados da pesquisa Datafolha:
1. A pesquisa visa avaliar o conhecimento e a opinião da população sobre os temas abordados na proposta conhecida como "novo Código Florestal" e votada pela Câmara dos Deputados no final de maio. O questionário foi realizado e aplicado pela Datafolha, por solicitação de Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, Imaflora, Imazon, Instituto Socioambiental, SOS Mata Atlântica e WWF-Brasil.
2. Foi realizada pesquisa quantitativa, com abordagem pessoal dos entrevistados, mediante questionário estruturado com cerca de 10 minutos de aplicação. A checagem foi simultânea à coleta de dados e cobriu cerca de 20% do material de cada pesquisador. Trata-se de uma pesquisa com abrangência nacional, incluindo áreas urbanas e rurais, e o universo pesquisado foi de pessoas com 16 anos ou mais, com telefone fixo. O levantamento foi realizado entre os dias 3 e 7 de junho de 2011. Foram realizadas 1.286 entrevistas. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.
3. O resultado é relativamente homogêneo entre as diferentes regiões e classes de renda (com diferenças pouco expressivas) e ainda mais homogêneo quando se considere a área urbana versus a rural. Neste caso, a diferença está quase sempre dentro da margem de erro, apontando para uma opinião bastante consistente entre campo e cidade.
4. O fato que houve expressiva cobertura midiática sobre a recente votação na Câmara dos Deputados fez com que quase dois terços da população declarem ter tomado conhecimento da votação, embora a parcela que se declara bem informada seja modesta, o que reflete a complexidade do tema.
5. Em geral, a pesquisa revela uma opinião pública com forte preocupação pela conservação das florestas, até mesmo quando esta é colocada como eventual fator limitante da produção agropecuária; dependendo das perguntas, a porcentagem dos brasileiros que discordam da proposta votada na Câmara dos Deputados varia entre 77% (a favor do adiamento do debate para ouvir a ciência) e 95% (que não aceitam perdoar desmatamento ilegal sem recuperação).
6. Na pergunta básica e introdutiva, na qual se coloca a alternativa entre dar prioridade para a proteção das florestas (mesmo que isso limite a produção agropecuária) ou para produção (mesmo que limite a proteção das florestas), a primeira alternativa recebe 85% e a segunda, 10%, com 5% de "não sei".
7. No caso do perdão do desmatamento ilegal, foram realizadas perguntas diferentes. Quando se oferecem três opções qualificadas, com uma intermediária, é possível observar como a primeira escolha da população seja em prol da mais rigorosa, isto é a de punir em qualquer caso para dar o exemplo, escolhida por 48% dos entrevistados; em seguida vem a opção intermediária (a de punir só quem se recusa a repor a floresta) com 45%, enquanto a opção de perdoar sem repor a floresta, objeto da proposta votada pela Câmara dos Deputados, atinge meros 5%. Quando se apresentam apenas duas opções, 79% se declaram em geral contra perdoar penalidades e multas (com 19% que aceitam esta possibilidade) e 77% se declaram contra a dispensa da reposição da floresta (com 21% que a admitem).
8. Já no caso da ocupação das Áreas de Preservação Permanente (encostas, topos de morro, várzeas, etc.), prevalece a opção intermediária, ou seja, a de manter apenas cultivos que segurem o solo e não gerem riscos de acidentes, com 66%, seguida da opção de remover todos os cultivos, com 25%, enquanto aquela de manter todos os cultivos - conforme proposta aprovada pela Câmara dos Deputados - é apoiada por apenas 7% da população.
9. A opinião geral sobre o tema é confirmada quando se passa a considerar as implicações políticas: 79% apoiam o eventual veto da presidente, no caso em que o Senado validasse a proposta da Câmara. Trata-se de uma parcela muito superior àquela que aprova em geral a atuação da presidente, que foi de 47% na mais recente pesquisa Datafolha, em março. Uma parcela ainda maior, atingindo 84%, afirma que não votaria em deputados e senadores que tenham votado a favor do perdão de desmatamento ilegal.
10. Uma parcela levemente inferior, atingindo 77%, apoia a proposta da comunidade dos cientistas para adiar a votação no Senado, de forma a ter mais embasamento técnico-científico na nova legislação, enquanto 20% consideram que seria melhor votar imediatamente, de qualquer forma.
FOTO DE ZIG KOCH
Assinar:
Comentários (Atom)























