por Anna Elisa Nicolau dos Santos
Redação EcoTerra Brasil
Explosão demográfica, aquecimento da atmosfera, aumento da emissão de gases poluentes, efeito estufa, poluição dos rios e mananciais de abastecimento, comprometimento dos lençóis freáticos, desmatamento e erosão do solo, extinção de espécies, desequilíbrio do ecossistema, problemas sociais como a fome, a insalubridade e a miséria. Tudo isso faz parte da crise ecológica que coloca em risco a qualidade da vida humana e do planeta.
Além disso, outra degradação ambiental que coopera para essa situação é o uso abusivo e sem reposição dos recursos naturais, particularmente os não renováveis – petróleo, carvão e outros tipos de minérios – que são essenciais à sobrevivência saudável do planeta e há muitos anos são utilizados para satisfazer as necessidades econômicas, sociais e culturais dos homens.
Mas como explorar os recursos naturais existentes é inevitável para o desenvolvimento industrial e econômico de um país, muita atenção deve ser dada a esta atividade que sempre causa alguma forma de poluição ou dano ambiental. Muitos processos industriais liberam contaminantes no ar, no solo e na água, e a maioria das necessidades energéticas do mundo é atendida pelos combustíveis fósseis, gerados a partir de recursos naturais não renováveis. “Os recursos naturais disponíveis no planeta não são suficientes para permitir uma expansão de produção de bens, serviços e produtos que possam satisfazer toda a humanidade no padrão de consumo idealizado ou desejado pela maioria das sociedades, que é o padrão dos países desenvolvidos” diz Samyra Crespo, coordenadora do Programa de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Instituto de Estudos da Religião (ISER). Usar recursos naturais de forma indiscriminada representa um ônus ao planeta. Portanto, a utilização deve ser feita de maneira equilibrada, contrabalançando as necessidades com o impacto sobre o meio ambiente.
A discussão sobre desenvolvimento, economia de mercado e proteção ambiental começou com o surgimento do movimento ambientalista, nas décadas de 1960 e 1970. Desde então, parte da sociedade percebe que os modelos de produção, distribuição e consumo, concentradores de renda e excludentes, são inviáveis para a convivência justa e pacífica entre todos os seres. Em 1983 as Nações Unidas criaram a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) para avaliar a situação mundial em relação às questões ambientais. Em 1987 esta comissão apresentou à Assembléia Geral da ONU o relatório Nosso Futuro Comum como resultado desse processo. Neste documento discutiu-se pela primeira vez o termo desenvolvimento sustentável, com a proposta inovadora de se trabalhar desenvolvimento econômico, justiça social e equilíbrio ambiental, de forma que as gerações atuais possam satisfazer suas necessidades sem comprometer os recursos para as futuras gerações. Mais tarde, estas questões seriam discutidas na reunião de cúpula sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, organizada pelas Nações Unidas, que ficou conhecida como Rio-92.
Se a proposta do desenvolvimento sustentável é satisfazer as necessidades das gerações presentes, sem comprometer a qualidade de vida das gerações futuras, o que fazer com o atual problema do esgotamento dos recursos naturais em todo o planeta? Este contexto traz a necessidade de refletir sobre os atuais padrões de consumo da população. “Hoje já existe a noção clara de que tanto os países pobres quanto os ricos devem começar a mudar imediatamente os seus padrões. Pelo simples fato de que não é possível universalizar o modelo de geração de resíduos e de exploração de recursos que hoje sustenta a economia global. Temos um padrão de consumo insustentável”, comenta Samyra Crespo.
A idéia de mudar as formas de consumo vem ao encontro da possibilidade de desenvolver a economia sem degradar mais o meio ambiente e ajudar a construir um ambiente socialmente justo. Em geral, os consumidores desconhecem as conseqüências de suas escolhas diárias para a própria saúde, para o meio ambiente e para a sociedade. É importante entender que cabe a cada um a responsabilidade pelo futuro do planeta.
O processo de consumo deve ser entendido tanto como o ato de compra de um produto ou a utilização de um serviço, uso e descarte de resíduos, incluindo também a escolha da empresa pelo cidadão. A atitude da indústria, durante o processo de produção, também é muito importante. Entende-se que a empresa é uma consumidora de grande porte e deve passar a consumir de forma responsável. Isto significa evitar todo tipo de desperdício no processo de produção, consumir o necessário de energia e água, devolver ao meio os efluentes devidamente tratados, gerar menor quantidade de resíduos possível, reciclar o lixo e diminuir ao máximo o consumo de matéria-prima.
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