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domingo, 17 de julho de 2011
TAMANDUÁ- BANDEIRA É FOTOGRAFADO EM RESERVA NO PARANÁ
Espécie ameaçada de extinção, carregando filhote no dorso, é vista em Salto Cotia, área adotada por projeto da SPVS em parceria com a HSBC Seguros
Um tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) adulto e um filhote, espécie em risco de extinção, foram avistados na reserva Salto Cotia, área de propriedade de Roger Looser e adotada por um projeto de conservação de áreas naturais desenvolvido pela Organização Não-Governamental Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) em parceria com a HSBC Seguros. A reserva fica localizada no município de Tibagi, no Paraná, a 222 km de Curitiba. O funcionário que trabalha na área, Eveli Tiago, flagrou os mamíferos em meio a vegetação durante uma ronda de rotina à propriedade.
De acordo com a bióloga Ângela Kuczach, do setor técnico da SPVS, a presença dessa espécie nos ecossistemas é rara no Paraná e quando avistada indica que as áreas estão em bom estado de conservação. “É muito incomum encontrar tamanduás-bandeira no Estado, principalmente porque eles dependem de grandes áreas e fontes de alimentação adequadas. Ter encontrado a espécie na área adotada pelo projeto é um fato relevante pela raridade das aparições e merece destaque”, ressaltou Ângela.
Para garantir a sobrevivência da espécie, as áreas ainda intactas dos ecossistemas de ocorrência do tamanduá-bandeira devem ser conservadas com, entre outras medidas, manejo técnico das propriedades, implementação de programas de educação ambiental, e a criação de novas Unidades de Conservação (áreas oficialmente protegidas).
Um exemplo disso é a criação de reservas particulares, conhecidas como RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural). Para Ângela, a RPPN é o melhor mecanismo para conservação de áreas privadas e proporciona a oportunidade direta na contribuição para a conservação da biodiversidade. “Essas reservas vêm para somar no Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Prova dessa contribuição é a presença dos dois tamanduás-bandeira na Reserva Salto Cotia”, explicou.
A SPVS atua na conservação de áreas privadas no ecossistema Floresta com Araucária, área de ocorrência do tamanduá-bandeira e várias outras espécies ameaçadas de extinção. Entre outras ações, faz parte do trabalho da SPVS o estímulo para a criação de RPPNs. Atualmente são 21 áreas adotadas pelo projeto da instituição, sendo que cinco já foram transformadas em RPPN.
A HSBC Seguros é a principal parceira da SPVS neste projeto – iniciativa da instituição que já garantiu a conservação de 2,5 mil hectares de Floresta com Araucária, no Paraná.
Ameaça de extinção
O tamanduá-bandeira está classificado na categoria Criticamente em Perigo no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no Estado do Paraná, publicado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e, de acordo com os critérios específicos, aparece sob um risco extremamente alto de extinção na natureza. As principais causas, segundo especialistas, são a redução e destruição dos ecossistemas, perda de fontes alimentares, poluição dos ecossistemas terrestres, modificação dos ambientes naturais para o desenvolvimento de áreas agrícolas, queimadas, atropelamentos, ataque por cães e caça predatória.
“Além de ter poucos indivíduos em sua população, existe uma pressão muito grande sobre seu habitat e ainda por cima ele está expandindo sua área de vida, enganado pela modificação de ambientes pelo homem e procurando sobreviver até em florestas como a do Parque Nacional do Iguaçu, aonde também já foi fotografado”, comentou Mauro de Moura-Britto, biólogo do departamento de Biodiversidade do IAP.
Tamanduá-bandeira
A distribuição do tamanduá-bandeira abrange todo o Brasil e no Paraná ocorre principalmente nas áreas de Campos Naturais e Cerrado, existindo poucos registros em áreas de Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Ombrófila Mista. Segundo Moura-Britto, os registros mais recentes da presença de tamanduá-bandeira no Paraná referem-se ao Segundo Planalto Paranaense. “Existe no Museu de História Natural Capão da Imbuia (MHNCI) um tamanduá-bandeira atropelado em 1995, na RPPN Fazenda Monte Alegre, em Telêmaco Borba, onde a espécie continua sendo avistada, inclusive com um registro fotográfico feito em 2003. Também ocorreu visualização em Piraí do Sul, em 2001 e 2002 sendo, no entanto, pouco comum”, completou o biólogo.
O tamanduá-bandeira é o maior representante da família Myrmecophagidae e pode atingir até 2,20m de comprimento e pesar mais de 45kg. É reconhecido por seu tamanho, cauda grande, focinho longo e cilíndrico e pela coloração característica da pelagem, composta por uma faixa diagonal preta de bordas brancas, com pêlos grossos e compridos.
Com baixo potencial reprodutivo, o período de gestação da espécie é de aproximadamente 190 dias, nascendo apenas um filhote por vez. A mãe carrega a cria no dorso por cerca de um ano, quando chega a pesar entre 14 e 17 quilos, período em que passa a se alimentar sozinho. A espécie apresenta uma série de adaptações para a sua alimentação constituída de formigas e cupins. Para capturar as presas, utilizam a língua comprida, capturando os insetos em seus ninhos.
FONTE SITE: SPVS
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